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Oito ideias para enquanto houver streaming

Oito ideias para enquanto houver streaming

DR Cláudia Sobral 15/01/2021 22:30

Em estado de emergência e com um confinamento geral decretado para fazer face aos descontrolados números da pandemia, está já feito o aviso: em caso de sobrecarga dos serviços, as operadoras são obrigadas a dar prioridade aos serviços essenciais e poderão com isso limitar ou suspender o acesso às plataformas de streaming. Fugindo aos gigantes Netflix ou HBO, eis oito sugestões do que estará disponível para ver online nas próximas semanas.

Berlin Alexanderplatz (kino – filmin)

A Kino – Mostra de Cinema de Expressão Alemã avança para aquela que será a sua primeira edição a realizar-se em formato online. Entre os dias 21 e 27 de janeiro, na plataforma de video on demand Filmin, serão exibidas 16 longas-metragens de expressão alemã, na maioria dos casos em estreia nacional absoluta. Entre a ficção e o documentário, autores consagrados e jovens revelações, a mostra promovida pelo Goethe-Institut traz-nos o aclamado Berlin Alexanderplatz, de Burhan Qurbani, filme estreado no Festival de Cinema de Berlim e protagonizado pelo luso-guineense Welket Bungué, em novembro passado distinguido com o prémio de melhor ator principal no Festival de Cinema de Estocolmo.

Pickpocket / Xiao Wu (mubi)

Entre os destaques da Mubi para estes primeiros dias de um confinamento como o país não tinha memória desde a primavera está Pickpocket / Xiao Wu, de Jia Zhangke. Cineasta reconhecido como um dos maiores cronistas do seu país, a China, autor dos mais recentes China – Um Toque de Pecado (2013) ou Ash is Purest White (2018). Muito antes disso, em 1998, levava o cineasta chinês ao Festival de Cinema de Berlim este Pickpocket a que a Mubi regressa e que marcou a sua estreia na longa-metragem. Xiao Wu é o nome do protagonista, um carteirista que entra numa relação com uma trabalhadora do sexo, num filme rodado em 16 mm com recurso a atores não profissionais e com a transferência de Hong Kong como pano de fundo.

integral das sinfonias de Beethoven (RTP Palco)

Não foi há muito tempo que a RTP2 transmitiu em série uma interpretação integral das nove sinfonias de Ludwig van Beethoven pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direção do maestro Pedro Amaral. Cumpriram-se, afinal, no passado mês de dezembro os 250 anos do nascimento, em Bona, Alemanha, daquele que se tornaria um dos nomes mais incontornáveis na história da música. Chegado ao fim o mês da efeméride, as boas notícias são que a interpretação das suas sinfonias, “muito diferentes entre si” e “cada uma delas, por si só, uma verdadeira obra-prima”, continua disponível para ver no site RTP Palco.

Suely Rolnik (Teatro do bairro alto – online)

Foi justamente no mês em que o Teatro do Bairro Alto, em Lisboa, retomou a programação no seu espaço (nos últimos meses de 2020 apresentou os seus espetáculos no Lux) que um novo confinamento obrigou a sala lisboeta a fechar portas de novo. Com parte da sua programação cancelada, sobram daquilo que estava previsto fossem as próximas semanas os eventos que tinham já sido pensados para um programa online que não chegou a desaparecer por completo. A 3 de fevereiro, no canal do Zoom do TBA (link disponível no site), a psicanalista, crítica cultural e curadora Suely Rolnik traz-nos Há algo de irreversível no ar: notas para descolonizar o inconsciente.

O teatro e a peste (bocabienal – online)

Parece ter sido ontem, mas foi já em abril de 2020, em pleno confinamento da primeira vaga, que com os teatros vazios (e vazios permaneceriam por meses), John Romão, diretor da BoCA Bienal, e a realizadora Salomé Lamas partiram para a recriação da conferência O Teatro e a Peste, de Antonin Artaud. Com cinco atores em cinco diferentes teatros, “expandindo como um vírus as palavras de Artaud, que fizeram esvaziar o auditório da Sorbonne em 1933 e que agora ocupam os teatros vazios”. O resultado foi uma série de vídeos produzidos pela cineasta, que estão ainda, e agora que os teatros voltam a estar vazios, disponíveis no site da BoCA.

Onde é a guerra (TNDM – vimeo)

Depois de, no confinamento da primavera do ano passado, o Teatro Nacional D. Maria II ter procurado manter a ligação com os públicos através de um canal criado propositadamente para a transmissão de espetáculos gravados (D. Maria II em Casa), nos primeiros dias de confinamento é possível assistir a algumas peças na íntegra no canal do Vimeo do teatro – por exemplo, Onde é a Guerra, um espetáculo para crianças com encenação de Catarina Requeijo, com a história de dois soldados inimigos divididos apenas por um muro na iminência de uma guerra. É nessa espera que se abre espaço para a dúvida: se pudessem ver-se, o que aconteceria à guerra?

1994 (RTP PLAY)

A 1992 e 1993 segue-se necessariamente 1994 – uma sucessão de anos do calendário gregoriano que, na verdade, corresponde também à sucessão de títulos da trilogia de séries da italiana Sky Atlantic que retrata o nascimento da chamada Segunda República. Uma revolução no sistema político daquele país acompanhada de uma série de reformas institucionais e alterações constitucionais que marcou também a ascensão de Silvio Berlusconi ao poder. 1994, justamente, foi o ano. E aí se situa este terceiro e último capítulo das séries de Alessandro Fabbri, Ludovica Rampoldi e Stefano Sardo. Com Stefano Accorsi (que interpretou Salgueiro Maia em Capitães de Abril, 2000) e Paolo Pierobon, como Berlusconi.

Sara (RTP PLAY)

Mesmo em pandemia, a ficção nacional televisiva procurou continuar o seu caminho. A prova é a adaptação de Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal, que, rodada no verão passado, continua a ser transmitida na RTP1. Entre as produções para a RTP de anos anteriores que vão sendo redisponibilizadas no RTP Play continua Sara, a série que marcou a estreia de Marco Martins na ficção televisiva e que, coescrita com Bruno Nogueira e Ricardo Adolfo, acompanha a história de uma atriz, Sara (Beatriz Batarda), que deixa de ser capaz de chorar. Inquestionavelmente uma das melhores séries nacionais alguma vez produzidas, juntamente com Sul, de Ivo M. Ferreira, também disponível.

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