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"Kaua e rangiruatia te ha o hoe te e korewaka tatou ae u ki uta"*

"Kaua e rangiruatia te ha o hoe te e korewaka tatou ae u ki uta"*

Ricardo Segurado 14/01/2021 10:05

Precisamos de lideranças que nos ponham a remar num só sentido, de modo que possamos atravessar esta tempestade.

A qualidade de uma liderança e a sua diferenciação para uma chefia é enorme e reveladora de todo um conjunto de características bem distintivas.

Saber gerir pessoas, procurar as melhores soluções, confiar, criar valor para a organização, saber ouvir e falar, criando círculos de influência, encorajar os outros para desafios, estabelecer relações por igual e conseguir criar mais lideres são algumas das principais características de uma liderança.

No rugby, por exemplo, nomeadamente na seleção neozelandesa – por sinal, uma das melhores do mundo –, há um momento que é exatamente toda uma revelação: o haka.

Desde logo, a disposição da equipa no haka: uma disposição em forma de lança e em posição para o ataque organizado.

É assim que uma equipa se deve comportar.

Organizada, preparada para enfrentar os desafios e em que cada um dos elementos dessa equipa, tal como no haka, sabe perfeitamente o que fazer para se atingir o sucesso: a vitória, os resultados. Mas sempre de forma harmoniosa e em que cada um sabe o seu papel e aceita o papel do outro na equipa.

E no campo de um jogo, tal como nas organizações, independentemente da sua natureza, tem de haver um líder. E na vida, tal como no rugby, é assim que as equipas se devem comportar.

Depois, há a importância de saber onde se coloca o líder dentro do campo ou face à sua organização.

No caso do haka, o líder nunca está à frente.

Em regra, está nas últimas linhas. A motivar e a empurrar a equipa.

A controlar os movimentos de todos e a gritar bem alto.

Para ser bem ouvido por todos e para que todos repitam, em uníssono, o que o líder diz.

Porque este líder tem carisma, entusiasma e encoraja a equipa.

Não é por acaso que o haka é dos momentos mais arrepiantes do rugby. Aliás, o haka é dos momentos mais arrepiantes que há no desporto.

É o momento perfeito para preparar o espírito, para libertação de stresse e para a concentração dos atletas, e é também um momento mágico das equipas do hemisfério sul – em todos os escalões, sendo ensinado desde a escola primária, e é muito mais do que um hino ou uma canção.

O haka é uma demonstração de coragem, de força, de esforço, de respeito, de solidariedade e de união dentro de uma equipa. E tal como no rugby, face à situação que o mundo atravessa, urge que os líderes se assumam, sem haver a necessidade de serem perfeitos – esse é apenas um caminho longo, mas que saibam fundamentalmente inspirar os outros e dar-nos confiança.

Assumam-se em toda a dimensão.

Sob pena de sermos derrotados numa disputa em que, infelizmente, as nossas vidas estão mesmo em jogo. Precisamos de lideranças que nos ponham a remar num só sentido. De modo que possamos atravessar esta tempestade que nos caiu em cima em 2020.

* “Não levante o remo fora de sintonia ou a nossa canoa nunca vai chegar à costa” – tradução do provérbio maori que dá título a este artigo.

 

Jurista

 

 

 

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