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Covid-19. País pela primeira vez com risco máximo de contágio

Covid-19. País pela primeira vez com risco máximo de contágio

Marta F. Reis 14/01/2021 08:18

Portugal é agora o quinto país europeu com maior contágio.

Um novo recorde de casos diagnosticados e de mortes, internamentos a aumentar e hospitais em contingência máxima. No dia em que o Governo anunciou o regresso ao confinamento, com entrada em vigor a partir de sexta-feira, o país entrou pela primeira vez no patamar de risco de contágio máximo, o que indicia que agora a maioria dos concelhos estarão na categoria de risco extremamente elevado.

Ontem no final do Conselho de Ministros não foi apresentado um novo mapa de risco, mas António Costa indicou que nunca se viveu um momento tão “perigoso” no que à epidemia diz respeito. Com os 10 mil novos casos diagnosticados na terça-feira, a incidência de novos casos de covid-19 a nível nacional passou pela primeira vez o patamar dos 960 casos por 100 mil habitantes, situando-se agora nos 981 casos por 100 mil habitantes (com as projeções a apontarem para um agravamento nos próximos dias).

Está já acima do pico da segunda vaga – que nunca chegou aos 800 casos por 100 mil habitantes – e agora com os casos de infeção muito mais disseminados do que na altura, quando a epidemia ficou descontrolada com a maioria das cadeias de infeção por identificar apenas na região Norte, trabalho recuperado com o aumento do rastreamento de contactos. As equipas de saúde pública foram reforçadas, o que está agora também a acontecer na região de Lisboa e Vale do Tejo, com a Administração Regional de Saúde a recrutar reforços. 

Todo o país no vermelho

Mas o número de infeções não disparou apenas na região de Lisboa, onde a pressão sobre os hospitais nunca foi tão elevada e está a ser preparada a abertura do Hospital de Campanha no Estádio Universitário que nos últimos dez meses não chegou a ser ativado. Em 14 dias foram diagnosticadas em Portugal 101 mil pessoas infetadas. O país passou ontem a barreira dos 507 mil casos, o que significa que uma em cada cinco pessoas infetadas conheceu o diagnóstico nas duas últimas semanas. Números ainda mais esmagadores na região Centro e Alentejo, as regiões com índices de contágio mais elevados, que agora superam os mil novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

Na região Centro foram diagnosticados 18 878 casos de covid-19 nos últimos 14 dias, um aumento de 40% face aos casos que tinham sido diagnosticados até ao final do ano passado. No final do ano 46 mil pessoas tinham tido covid-19 na região Centro; são agora mais de 65 mil. No Alentejo em 14 dias somam-se 5606 novos casos. Em dez meses de pandemia tinham sido perto de 11 mil, o que significa um aumento de 52% nos diagnósticos no espaço de duas semanas. A região Centro está com uma incidência cumulativa de 1143 novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias e o Alentejo com 1202 novos casos por 100 mil habitantes. A incidência no Norte está nos 976 casos por 100 mil habitantes, abaixo do pico da segunda vaga. E Lisboa tem agora maior risco de contágio do que o Norte, com 996 casos por 100 mil habitantes.

A epidemia parece estar de resto com maior velocidade de contágio em Lisboa do que na região Norte. Nos últimos sete dias houve uma média diária de 2829 casos na região Norte e 3243 novos casos na região de Lisboa. O Algarve é a única região a esta altura abaixo dos 960 casos por 100 mil habitantes, ontem com uma incidência cumulativa de 799 casos por 100 mil habitantes. Com este aumento acentuado, Portugal é agora o quinto país europeu com uma epidemia mais intensa.

Nos últimos sete dias com comparações disponíveis (5 a 12 de janeiro) surge em primeiro lugar a Irlanda  (que confinou antes do Natal), com 905 casos por 100 mil habitantes. Depois a República Checa, com 829.8 casos por 100 mil habitantes. Eslovénia a seguir: 661.6 casos por 100 mil  habitantes. Depois Reino Unido (609.5 casos por 100 mil habitantes nos últimos sete dias). E Portugal então com 561.2 casos por 100 mil habitantes nos últimos sete dias. Note-se que os países não testam o mesmo, o que influencia as comparações. No final de dezembro o Reino Unido estava a testar mais por 100 mil habitantes do que Portugal – entretanto, com o Brexit, deixou de fazer parte das estatísticas do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC). Quando anunciou o terceiro confinamento, estava abaixo dos 700 casos por 100 mil habitantes.

No final do ano tanto todos estes países estavam a testar mais do que Portugal tendo em conta a sua população, segundo o último relatório semanal do ECDC que ainda vai apenas até 3 de janeiro. A Irlanda com 3160 primeiros testes semanais por 100 mil habitantes, a República Checa 2924 e a Eslovénia 2603. Portugal registou nesta semana, segundo os dados reportados pelo país ao ECDC, 2373 testes por 100 mil habitantes, com uma taxa de positividade abaixo da Eslovénia.

Hospitais só vão operar casos muito prioritários e urgentes

Com as projeções a apontar para um aumento acentuado nos internamentos, em Lisboa está a ser ultimada a abertura do hospital de campanha no Estádio Universitário. E o Ministério da Saúde deu agora ordem aos hospitais do SNS, à excepção dos IPO’s, para, pelo menos até ao final do mês, suspenderem todas as cirurgias que não forem urgentes ou classificadas como muito prioritárias – nestas, que incluem cirurgias oncológicas, tem de ser dada resposta em 45 dias. Mas as cirurgias prioritárias poderão ser adiadas. Aconteceu o mesmo no primeiro confinamento, o que levou ao adiamento de milhares de cirurgias ao longo de dois meses – e em Lisboa durante mais tempo. A recuperação ao longo de 2020, a partir do verão, não chegou a ser total. Ate novembro, o SNS fez menos 112 mil operações face ao ano anterior.

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