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Remuneração média cai 18,4% até junho de 2020 e dívida do Estado dispara

Remuneração média cai 18,4% até junho de 2020 e dívida do Estado dispara

João Amaral Santos 11/01/2021 13:23

Economista Eugénio Rosa alerta para efeitos da quebra da economia devido à pandemia. Distâncias para UE alargam-se e riqueza gerada em Portugal é agora (ainda mais) insuficiente para pagar dívida pública.

 

A remuneração bruta mensal média dos trabalhadores portugueses caiu 18,4% entre junho de 2019 e junho de 2020 (dos 7,41 para os 6,05 euros por hora). O alerta é dado pelo economista Eugénio Rosa, que explica que esta evolução negativa – que contraria um crescimento que se verificava, pelo menos, desde junho de 2015 – “resulta do facto das entidades patronais, aproveitando a crise que as afeta, começarem já a pressionar as remunerações para as baixar ainda mais com o objetivo de transferir os custos da crise para os trabalhadores”.

Esta quebra nos salários contribui para acelerar uma tendência de alargamento das distâncias entre os ordenados praticados em Portugal e as remunerações médias nos países da União Europeia (UE). “Antes da crise, o salário horário médio em Portugal era já menos de metade do salário horário médio nos países da UE. Entre 2006 e 2018, a percentagem que o salário médio hora pago aos trabalhadores portugueses representava em relação ao salário médio hora na UE diminuiu de 52,3% para apenas 48,9%”. O cenário não é, por isso, nada animador.

Riqueza insuficiente e dívida. As conclusões do estudo apresentado por Eugénio Rosa indicam que “a riqueza criada em Portugal era já insuficiente antes da pandemia e caiu com a crise”. “Em 2010, o PIB por habitante em Portugal correspondia a 66,6% do produto interno bruto (PIB) médio por habitante dos países da UE e, em 2019, tinha descido para 64,7%”, diz o economista.

As contas apresentadas explicam que, antes da crise, cada trabalhador em Portugal criava por trimestre riqueza (PIB) avaliada entre 11 869 euros (dados do primeiro trimestre de 2019) e 11 990 euros (quarto trimestre de 2019) o que, comparado com a média dos países da UE correspondia a cerca de 64,7%.

Com a crise causada pela pandemia, que levou ao fecho de uma parte significativa da economia, a queda da riqueza criada por trabalhador foi brusca e acentuada (-13,6% no segundo trimestre de 2020 quando comparado com o mesmo período de 2019). Com o desconfinamento no terceiro trimestre de 2020 registou-se uma certa recuperação da economia, com o PIB por trabalhador a aumentar, entre o segundo e o terceiro trimestre do ano passado – de 10 282 euros para 11 553 euros (+12,3%).

Segundo Eugénio Rosa, a evolução destes números resultam “num Estado cada vez mais endividado, cuja dívida terá de ser paga com os nossos impostos”. “Entre dezembro de 2019 e outubro de 2020, portanto em apenas dez meses, a divida das administrações públicas aumentou de 310 466 milhões de euros para 330 000 milhões de euros, e a divida na ótica de Maastricht subiu de 249 985 milhões euros para 268 143 milhões de euros. No fim de setembro de 2020, a divida das administrações públicas já correspondia a 160,8% do valor do PIB e a de Maastricht a 130,8%”, afirma Eugénio Rosa.

Face a este cenário, o especialista alega que “um aumento da taxa de juro criará uma situação insustentável ao país pois os encargos com uma divida desta dimensão poderão tornar-se incomportáveis” para o Estado português.

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