28/1/21
 
 
Marta F. Reis 11/01/2021
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@ionline.pt

As mesas de voto também irão aos hospitais?

O mais certo é a realidade encarregar-se de fazer perceber se eleições são viáveis nesta altura e a renovação do estado de emergência por oito dias numa altura crítica da pandemia pode ter sido providencial.

Uma banalização do estado de emergência preventivo e não ouvir os sinais que chegavam de dezembro e chegam agora do terreno parece ter aumentado a dificuldade em reconhecer uma situação de calamidade quando ganha forma, que é o que temos pela frente.

Só uma enorme capacidade de adaptação, coordenação e mobilização de recursos humanos poderá tornar gerível o embate das próximas semanas nos hospitais. Estamos em pleno inverno, com um janeiro mais rigoroso que noutros anos. Nenhum hospital estica. Nos outros invernos foi o caos? Este ano o objetivo era não ter macas em todo o lado nem salas de espera cheias. Não é por qualquer conspiração “covid”. Do ponto de vista individual, seria uma roleta. A nível coletivo, aumenta o problema.

Na semana passada, com a tempestade a formar-se nos radares, voltámos a ver como não estamos preparados coletivamente para antecipar. Vimo-lo no debate do Parlamento, no surreal apelo da Comissão Nacional de Eleições para que a pandemia da covid-19 não fosse “mais uma desculpa” para não ir votar. Usar uma formulação destas é não ter noção do problema que o mundo vive há dez meses. Veio a CNE, sem qualquer plano b preparado, transmitir às pessoas a ideia de que a pandemia é uma desculpa – e sabemos o quão perigoso isso é.

É o mesmo Estado que tem de anunciar dias depois o confinamento. Com o precipitar de acontecimentos, a discussão passou a ser a impossibilidade de, agora, adiar eleições. Isto depois de dias em que se excluía taxativamente o cenário, como se de repente janeiro pudesse ser agosto. Os constitucionalistas dividem-se, já se propuseram revisões relâmpago da Constituição. Ontem o Governo anunciou o alargamento do voto antecipado. O mais certo é a realidade encarregar-se de fazer perceber se eleições são viáveis nesta altura e a renovação do estado de emergência por oito dias numa altura crítica da pandemia pode ter sido providencial. Marcelo brincou que a Providência lhe permitiu debater com Ventura. Talvez pela forma como aproveitou os 30 minutos tenha tido outra graça: seria ainda possível adiar por um dia ou dois a renovação do estado de emergência e fazer a revisão necessária. Isto havendo consenso.

Pelo meio surgiu a ideia de irem mesas de votos aos lares. Proposta avançada por Marques Mendes e, segundo o DN, em preparação pelo Governo, que ontem confirmou a intenção. Irão também aos hospitais para os profissionais de saúde votarem? Se há condições para criar um contingente de equipas para tentar salvar as eleições da maior abstenção de sempre - e muitos não poderão ainda assim votar - talvez possam começar já esta semana a ajudar no combate à pandemia nos lares, desfalcados de pessoal, e no acompanhamento de doentes. 

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