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Mário Bacelar Begonha 07/01/2021
Mário Bacelar Begonha

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Democracia e participação social

Certos agentes políticos parecem mais interessados em marcar a sua agenda política, pensando mais no futuro imediato e pouco no mediato e, sobretudo nos interesses da Grei (do povo).

«A Democracia Moderna não se baseia na Participação, mas na Representação, não supõe o exercício direto do poder mas a sua Delegação». Bryce

 

O termo democracia é um termo normativo, não descreve algo, mas prescreve um ideal. É de facto um ideal a ‘igualdade de estimação’, ou seja trato igual e igual respeito por todos os homens e mulheres.

É esta reciprocidade que nos leva à ideia de ‘democracia social’, com valores e ideais básicos de uma cultura e um estilo de vida definidos por uma nivelação geral das diferenças de ‘status’. Ora estamos a falar da necessidade de uma aprendizagem (Educação) que se centre na necessidade de acelerar as igualdades e, de atenuar as desigualdades que contaminam e intoxicam a democracia.

A conjuntura atual necessita de políticos com grande equilíbrio, e que o saibam conservar, mesmo numa situação instável, para evitar o desnorte que nos pode levar, como disse Roland Mager à situação de: quem não sabe para onde quer ir, não se deve admirar de chegar aonde não queria.

Ora atualmente certos agentes políticos parecem mais interessados em marcar a sua agenda política, mesmo não evitando uma competição direta, por vezes, quase confrontação, pensando mais no futuro imediato e pouco no mediato e, sobretudo nos interesses da Grei (do povo).

A desorientação é um fenómeno típico daqueles que nunca tiveram qualquer noção da realidade e do esforço, permanente, que é necessário desenvolver para nunca a perder. Na base da democracia está a igualdade e a humildade, mas isso requer uma educação de grande nível que nos faça perceber, e entender, que essa é a condição primeira para uma vivência democrática.

A grande questão que se coloca neste contexto é saber como é possível haver um Parlamento em que o povo não votou diretamente, ou seja, o regime obriga o cidadão comum a ser representado no Parlamento por uma pessoa que não conhece e em quem não votou!

Mal comparado seria o mesmo que impor ao primeiro-ministro 19 ministros e 50 secretários de Estado que ele não escolheu, nem conhece de qualquer lado...

Ora este regime não serve a democracia, isto não é democracia, isto é uma oligarquia do PS e seus apaniguados. É preciso pensar num sistema em que todos se sintam representados, legitimamente, e não um sistema que é uma farsa que só serve para estabelecer um clima de grande desconfiança e de clientelas!

Como é possível, um deputado eleito pelo Porto, que nunca foi ao Porto, e que não conhece sequer a ‘cultura’ do Norte e os hábitos das suas gentes, representar o Porto?. Então representa quem? E o que está lá a fazer?

Não é possível delegar aquilo que são os nossos direitos, em pessoas que não conhecemos!. Isso é uma idiotice, é de facto um sistema que está concebido para criar e preservar o ‘caciquismo’, tão típico do regime da Constituição de 1933.

Os dirigentes políticos devem lutar pelo aperfeiçoamento da democracia e tratar da questão da representação de uma forma séria. A sensação que dá a um octogenário vivido que passou por algumas universidades, é que a maioria dos agentes políticos não está preocupada com o futuro e ele será o que for. Isto é inaceitável.

 

Sociólogo
Escreve quinzenalmente

 


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