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Fernando Maltez: "Podemos não precisar de medidas muito mais rigorosas, o essencial é que sejam cumpridas"

Fernando Maltez: "Podemos não precisar de medidas muito mais rigorosas, o essencial é que sejam cumpridas"

Marta F. Reis 07/01/2021 09:40

O diretor do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital Curry Cabral, Fernando Maltez, vê como questão mais urgente a necessidade de os hospitais se adaptarem e fazem ‘ginástica’ para dar resposta a uma maior procura com o aumento dos internamentos.

Qual o impacto nos hospitais dos dados recentes?

Começámos a sentir o aumento dos internamentos e estamos com taxas de ocupação acima dos 90%, o que há duas ou três semanas não existia em Lisboa. Tivemos um aumento de casos particularmente acentuado nos últimos dias mas, em termos de impacto nos hospitais, já vinha a sentir-se há duas ou três semanas.

E agora?

No imediato vai ser preciso que os hospitais se adaptem cada vez mais e se ginastiquem cada vez mais para dar resposta a esta maior procura. Este é o aspeto a jusante. A montante, eventualmente precisamos de implementar de novo um confinamento, de modo a diminuir este afluxo dos doentes.

Um confinamento como o primeiro?

Provavelmente, não terá de ser igual e podemos não precisar de medidas muito mais rigorosas do que aquelas que já estão recomendadas e que foram implementadas antes do Natal – o que é preciso é cumpri-las. Eventualmente, com alguns acertos. O teletrabalho, o encerramento das escolas para grupos etários que possam ser autónomos terá de ser novamente ponderado, mantendo as crianças até aos 12/13 anos – isto, mantendo-se estes números que estamos a ver.

Defende por isso um endurecimentos das medidas?

Creio que as medidas deverão ter de apertar um bocadinho mais, mas o essencial é que sejam cumpridas, porque já se viu que, quando são cumpridas, os números baixam. Sabemos que neste inverno temos menor afluência aos hospitais do que noutros anos, também por algum receio que algumas pessoas possam estar a ter de procurar as urgências e porque tudo indica que temos este ano uma menor prevalência da gripe, mas temos tido uma pressão crescente nos hospitais e, em termos de internamento, a pressão é muito elevada. Neste momento, o que me preocupa mais é que estes números se mantenham elevados ou possam subir ainda mais e ultrapassar a capacidade de resposta das enfermarias e unidades de cuidados intensivos e do Serviço Nacional de Saúde em geral.

Estamos a que distância disso, longe ainda?

O longe é sempre relativo. O que posso dizer é que ainda não estamos lá mas, se continuarem os números a subir desta forma, para lá caminharemos a curto prazo.

 

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