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Luís Newton 04/01/2021
Luís Newton

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Aprender com os erros

Em 2020 vivemos um período de crise, de tensão e de emergência. Fomos postos à prova do ponto de vista emocional e físico, a níveis que muitos de nós não imaginavam ser possíveis. Fomos afastados uns dos outros, obrigados a suspender as nossas vidas e confiámos nas nossas autoridades de Saúde, mas também políticas, para nos protegerem de o inimigo que não conhecíamos.

Fazer um balanço deste ano e excluir esta crise pandémica era um desafio curioso, mas no qual não me vou aventurar.

Numa análise fria aos factos políticos de 2020 tenho a constatar algumas coisas. Umas boas, outras más. Como me diz a experiência que as más notícias se dão sempre primeiro, devo começar por dizer que este ano me desiludiu em vários campos. Deixaram-me desanimado os movimentos que fez o PS para condicionar e afastar notáveis funcionários públicos, com pendor para serem mais rigorosos na sua supervisão, com destaque para os lamentáveis casos no Tribunal de Contas e na Procuradoria Europeia. Fiquei impressionado com os submundos internáuticos em que floresce o conspiracionismo, a negação da ciência e o ódio reflexivo mais nefasto de que tenho memória de ter visto e que descobri que conseguem ter voz na AR.

Também me perturba ver a economia a definhar em nome da saúde pública e constatar que esse sacrifício, que é de todos os portugueses, todos os dias é colocado em causa por desleixo ou desnorte das autoridades responsáveis.

As cadeias de transmissão do Covid 19 não estão a ser  eficazmente cortadas.

Há infetados que têm alta clínica ao fim de 10 dias sem necessidade de teste e que, quando persistem em ser testados, alguns continuam positivos, ou seja, ainda são portadores do vírus, com todo o perigo que existe no seu regresso à vida normal.

Há ainda os que estando infetados são enviados para casa e para o seio das suas famílias, sem que os que fazem parte desses agregados familiares sejam testados ou mesmo aconselhados a ficarem em quarentena profilática, continuando a trabalhar, a socializar e a utilizarem transportes públicos.

Se queremos vencer esta guerra, as autoridades de saúde terão de mudar este modo de agir. Já!

Apesar de tudo isto, foi um ano que me deu fé naqueles com que tenho a sorte de partilhar a terra e ainda mais fé me deu nas ideias que sempre defendi para o meu país e para o mundo. Descobri nas pessoas uma solidariedade, uma abnegação e uma responsabilidade cívica que foi bem para além das minhas expectativas. Assisti à superação na minha comunidade e um pouco por todo o planeta a níveis que me renovaram a esperança de que estaremos à altura dos grandes desafios globais do futuro. Assisti a um esforço coletivo, verdadeiramente abrangente, público e privado, técnico e teórico para superar uma crise. Esforço esse que alcançou a esperança em menos de um ano. A vacina que nos enche agora de otimismo e nos permitirá, passo a passo, começar a difícil tarefa de reconstruir o que este vírus destruiu. É um triunfo claro e inequívoco do mundo globalizado, descomplexado e inovador em que afortunadamente nasci. Espero, portanto, que seja uma garantia de que o nosso modelo social, com os devidos acertos, esteja aqui para ficar.

2020 foi um ano complicado, mas tendo sobrevivido à sua provação, é uma oportunidade extraordinária para valorizarmos o que construímos, prepararmos o futuro e caminharmos para 2021 com a confiança de que somos capazes de tudo a que nos propusermos. Basta-nos engenho, motivação e capacidade de cooperação.

Bom ano!


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