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Haverá crise política?

Haverá crise política?

Bruno Gonçalves Jornal i 01/01/2021 11:41

Orçamento para 2022 é teste decisivo para a legislatura. Há quem admita que pode haver eleições antecipadas, mas está tudo nas mãos de Costa.

O semestre da (in)estabilidade? - Contas de 2022

2021 será um ano político que se divide em duas partes. A primeira será virada para a presidência portuguesa da União Europeia. A segunda será decisiva para se avaliar se a legislatura chega até ao fim. Mas vamos por partes. A partir de julho começará a preparação, em paralelo, do Orçamento para 2022, e da campanha das eleições autárquicas. Em outubro, se verá se a solução que viabilizou o Orçamento de 2021 é conjuntural. O PCP, peça-chave para a viabilização das contas de 2021, pode ser tentado a votar contra a versão de 2022. Mas tudo depende da capacidade negocial dos socialistas com o PCP, PAN e PEV ( e deputadas não-inscritas) para continuarem no poder. Isto porque o PS não tem maioria absoluta.

Geringonça - Papel do PCP

Os comunistas prometem não confinar em 2021, lutar pelo trabalhadores e reclamar o seu papel interventivo junto do Governo. Mais, a 6 de março está já previsto um grande comício, em Lisboa, para assinalar o centenário do partido. Deverá ser um momento de mobilização mesmo num cenário em que a pandemia da covid-19 ainda condiciona o país. É preciso não esquecer que o PCP não deixou de fazer comícios em plena pandemia, nem de realizar o seu congresso em Loures. Que ditou a continuidade de Jerónimo de Sousa.

Mas, 2021 será sinónimo também de autárquicas e o mês de outubro pode ser decisivo para os comunistas determinarem se continuam a dar mão ao PS ou assumem que chegou a hora de colocar um ponto final em qualquer negociação. Será nesse mês que o Orçamento de 2022 entrará no Parlamento e o PCP fará, então, a avaliação do caminho a seguir. Contudo, será difícil prever, desde já, que os comunistas saltam fora de qualquer solução de compromisso com o PS. O PCP tem bem presente o filme de 2011, em que negociou com o PSD um projeto de resolução para chumbar o Programa de Estabilidade IV. O então primeiro-ministro, José Sócrates, demitiu-se por não ter a confiança do Parlamento para aplicar as medidas a que se propunha e o PSD chegou ao poder com uma quebra eleitoral dos comunistas. Assim, o cenário de voltar a colocar a direita no poder, como em 2011, pode ser um travão a qualquer tentação do PCP de deixar cair o PS.

Esquerda - O caminho do Bloco

Já o Bloco de Esquerda decidiu descolar do PS em novembro com o voto contra no Orçamento para 2021. A cisão pode não ser permanente, mas a clarificação sobre o caminho a seguir ( com uma reaproximação ao PS ou não )só deve ser feita na convenção do partido, marcada para maio de 2021. Nessa altura também se fará o rescaldo do resultado das presidenciais e a estratégia seguida até aqui pela equipa da coordenadora Catarina Martins. E, se em 2018, a oposição interna não teve expressão na convenção do partido, não é líquido que, agora, a história se repita.

PSD - O tudo ou nada de Rio

No PSD há muito que se admite um cenário de crise política em 2021, designadamente, em outubro onde tudo converge: autárquicas e Orçamento. Nem todos os dirigentes acreditam na hipótese de eleições antecipadas, mas o presidente do PSD, Rui Rio, admitiu ontem que acredita na tese de fim de ciclo do PS: «É muito difícil a legislatura chegar até ao fim. Está claramente na curva descendente» , assumiu o líder social-democrata à Antena 1. Porém, há quem admita ao Nascer do SOL que só haverá uma crise política se o primeiro-ministro a quiser provocar. Neste caso, António Costa só o faria com a certeza de que sairia reforçado ( com uma maioria absoluta que falhou em 2019) ou, então, porque percebia que já não tinha condições para continuar. Acresce que os resultados da presidência da União Europeia podem reforçar (ou não) o primeiro-ministro. E se tudo correr bem na Europa – e mal a nível interno para António Costa – há quem lhe aponte um cargo europeu de destaque no futuro. Já Rui Rio pode ter os dias contados na liderança do PSD, se perder a oportunidade de avançar em eleições antecipadas e tiver um mau resultado nas autárquicas. É o tudo ou nada para 2021.

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