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Montijo. Aquela triste tarde em que até Damas, o Charuto, perdeu a paciência

Montijo. Aquela triste tarde em que até Damas, o Charuto, perdeu a paciência

Afonso De Melo 29/12/2020 08:26

Desconfortavelmente instalado nos últimos lugares do grupo G do Campeonato de Portugal, o Montijo recebe amanhã o Sporting B. Soam as campainhas da memória.

Passam-se os olhos pela classificação do grupo G do Campeonato de Portugal e um arrepio percorre-nos a espinha: nos últimos quatro lugares estão, muito desconfortavelmente instalados, o Belenenses (sem SAD), o Montijo, o Fabril (herdeiro da CUF) e o Oriental, todos com história firme na realidade do futebol português. No início dos anos 70, eu vivia em Benavente, no Ribatejo. Havia em nós, garotos, uma espécie de orgulho especial nas equipas ribatejanas que chegavam à i Divisão, como o União de Tomar ou o Montijo. O Montijo foi, em tempos, a Aldeia Galega do Ribatejo. Ou, simplesmente, Aldeia Galega. Ou, ainda mais simplesmente, Aldegalega. Juntar os cromos de toda a equipa do Montijo ou do União de Tomar era um troféu. Enfim, coisas da gente de uma terra onde fui feliz e despreocupado como todos os miúdos da minha idade.

O Clube Desportivo do Montijo, que por portas e travessas se chama hoje Olímpico do Montijo, andou três épocas na divisão principal: 1972-73, 1973-74 e 1976-77. Agora arrasta-se como tantos outros nomes gloriosos pelos fundilhos das calças do futebol nacional. Amanhã defronta o Sporting. Não o Sporting autêntico, mas o Sporting B, que é Sporting na mesma, e o jogo rescende a tempos que já lá vão. Porque, ainda por cima, a primeira vez que o Sporting visitou o Montijo para o Campeonato Nacional da i Divisão, no dia 22 de outubro de 1972, o Campo Luís de Almeida Fidalgo foi palco de um salsifré dos valentes com o pobre Damas, meu querido amigo Vítor Manuel Afonso Damas de Oliveira, o Charuto, a ser vítima de uma violência inaudita, logo ele que, apesar da voz rouca do excesso de cigarro e de uísque, era uma alma pura como poucas vim a conhecer. Saravá, meu irmão precocemente desaparecido. Saudades dos nossos almoços de cabeça de peixe no Manel Caçador, ao Areeiro, nós dois ambos Afonso, que levava sempre a conversa para brincadeira de xarás.

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