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Sandra Donahue. "Fiquei aliviada quando tomei a vacina. Senti-me bem"

Sandra Donahue. "Fiquei aliviada quando tomei a vacina. Senti-me bem"

Maria Moreira Rato 28/12/2020 18:16

A médica, residente nos EUA há onze anos, foi uma das primeiras pessoas a receber a vacina Pfizer-BioNTech.

Nasceu em Portugal e, aos seis anos, mudou-se para Macau. Quando atingiu a maioridade, ingressou no Mestrado Integrado em Medicina na Universidade Nova de Lisboa. Depois dos dois anos de internato geral e dos três de especialização em Medicina Geral e Familiar – na Unidade de Saúde Familiar Marginal, no Estoril –, em 2009, Sandra Donahue perguntou ao marido: “A minha vida foi passada a viajar. O que achas de estudarmos opções e emigrarmos?”. Acabaram por escolher os EUA, país em que “é preciso fazer tudo de novo”. Com dois filhos – um de onze e outra de oito anos –, acredita que, apesar das dificuldades para exercer a profissão do outro lado do Atlântico, “valeu o esforço, o suor e as lágrimas”. Aos 40 anos, a médica do hospital Valley Health, no estado da Virgínia, foi uma das primeiras a receber a vacina da Pfizer-BioNTech.

Como tem vivido a pandemia?

O início foi um bocadinho assustador, principalmente, os meses de março e abril. Ver a falta de informação para os profissionais de saúde, para a sociedade, assim como a informação que entrava em conflito não foi fácil. Não havia uma fonte segura porque era tudo muito novo e desconhecido. Mesmo nos hospitais não existia consenso acerca de coisas como a utilização de máscara porque, se todos a usassem, o stock seria insuficiente. No entanto, na Virgínia, não fomos tão atingidos pelo coronavírus como outros sítios, por exemplo, Nova Iorque. Agora é que estamos a “apanhar a onda” e os números estão certamente a subir.

No seu estado já foram registados 303 mil infetados e 4643 mortes por covid-19 desde março.

Sim, são números assustadores, mas temos de pensar que, na quarta-feira, foi anunciado que, nas 24 horas anteriores, o país inteiro registou 3500 óbitos. É um valor bastante elevado.

Os primeiros casos de coronavírus surgiram, nos EUA, em fevereiro. A meio de abril, existiam infetados nos 50 estados. Alguma vez interrompeu a sua atividade profissional?

Estive sempre a trabalhar. No Valley Health trabalhamos num sistema de rotatividade: somos oito médicos, na equipa, e a cada semana um de nós encarrega-se dos doentes covid para reduzir a exposição ao vírus. Porque mais vale ter um profissional designado para este tipo de doentes. Adotámos esse método e ainda o seguimos, a questão é que tínhamos poucos doentes e, agora, temos vinte ou até mais. Neste momento, dois médicos estão a tratar dos doentes covid e têm a sua lista cheia.

Os doentes são provenientes de locais que são considerados os maiores focos de contágio como, por exemplo, lares?

Sim, temos imensos surtos em lares situados em redor do hospital. Basta que uma pessoa fique doente para os mesmos serem encerrados. Fica tudo completamente paralisado e esse é um dos motivos pelos quais é extremamente árduo dar alta a doentes covid e até não covid por estes dias. É que, se estiverem institucionalizados ou até necessitarem apenas de permanecer em clínicas de reabilitação para, imaginemos, fazerem fisioterapia e recuperarem de um acidente de viação, existem muitas barreiras. As instituições não recebem os utentes com facilidade, exigem a priori dois testes negativos. E, por outro lado, temos tido também uma vaga de casos muito mais complexos. Ou seja, as pessoas, que era suposto internarmos com uma doença descompensada como falência cardíaca, vêm com problemas de rins, de coração, etc. ao mesmo tempo. Como não têm acesso ao seu médico regular, ficam em casa e contribuem para o agravamento das suas próprias patologias. E, quando as mesmas lhes são diagnosticadas, por vezes, é demasiado tarde. Enquanto profissionais de saúde, sentimos que carregamos um grande fardo emocional ao lidarmos com estas situações.

Como tem sido o seu quotidiano?

Vejo pessoas a morrer e outras em estado crítico porque a covid exacerba as doenças crónicas, mas até a um limite que não costumamos ver e, por isso mesmo, os nossos doentes não podem ver a família. O hospital tem de ficar fechado, limitamos as visitas, as pessoas estão sozinhas, todos têm medo e os médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde ficam sobrecarregados. É um stresse que se torna quase palpável. Estamos treinados para lidar com o sofrimento,  mas não a esta escala. Porque trata-se de um aumento de sofrimento em volume e severidade. Num curto espaço de tempo, surgem casos e casos… é complicado. Não me estou a queixar porque tenho muita sorte com o local onde trabalho, mas imagino como esteja a ser o cenário absolutamente aterrorizador noutros estados e questiono-me acerca de como os meus colegas lidarão com tanta pressão.

Tem tido momentos de exaustão?

Todos queremos estar próximos das pessoas de quem gostamos, somos animais sociais. Vê-se muita ansiedade, stresse, tristeza, até mesmo entre profissionais de saúde. Quer-se a sensação de normalidade e os problemas surgem precisamente por causa disso. Porque o conceito de normalidade que conhecíamos não existe atualmente. Em abril, sofri de ansiedade quando acordava para ir trabalhar. Foi na altura em que não tínhamos medidas concretas nem informação suficiente para ter regras no hospital – e até na sociedade em geral – e eu chegava a casa e despia-me na garagem. Depois, ia imediatamente tomar banho e falava com a minha família no fim desse processo. Tenho duas crianças, de onze e oito anos, tentava perceber qual seria a melhor forma de os proteger. Passava por eles, não dizia nada, e ia tomar banho ou tirava a roupa na garagem e falava logo com eles? Sentia-me ansiosa para ir para o hospital e para voltar para casa. Não gosto de sair à noite, sou uma pessoa um bocado introvertida, mas não via ninguém há meses. Um dia falei com um grande amigo meu, que é psiquiatra, e chorei. Deitei tudo cá para fora. É o fardo emocional de ter muitos doentes, doentes covid que morrem, outros que vão morrer, enfrentar as famílias dos mesmos e ser a portadora das más notícias... Para além disso, os medicamentos que pensamos que funcionam, não funcionam e as expectativas não são atingidas. Mas percebi que tudo isto é normal.

Prefere desabafar com os seus colegas por existir uma identificação e uma compreensão imediatas?

Exatamente. Muitos dos meus colegas perguntaram-me “também estás a sentir isso? Pensava que era só eu”. Falar por telefone, por Zoom ou por Skype, nem que seja uma vez por semana, é extremamente importante porque, ao fim de um tempo, chegamos inevitavelmente ao ponto de rutura. Não vou falar com os meus filhos pequenos ou com o meu marido, que não é médico, sobre os meus problemas emocionais. Não sabem exatamente aquilo que passo todos os dias. Por isso, recorro aos meus pares, é bom ser ouvida. Ironicamente, esta é uma doença que nos separa fisicamente mas junta-nos emocionalmente.

Algum doente a marcou especialmente nos últimos tempos?

Na semana passada, cuidei de um senhor que tinha 80 e tal anos, demência, problemas cardíacos e estava infetado com covid. A mulher também ficou doente e estiveram os dois lado a lado. A senhora foi para casa, ele ficou, ela melhorou muito bem, ele piorou imenso. O que mais me marcou foi não somente a condição da deterioração cognitiva ou do quadro clínico negativo, mas, acima de tudo, o facto de ter de explicar aos familiares que somos todos diferentes. Que uns vão para casa e outros não. Não sei se ele morreu, mas não ia no caminho certo. Estávamos a pensar nos cuidados paliativos. Este é um exemplo, mas como este idoso tenho imensos. Ou seja, este vírus não escolhe idades, famílias nem estratos sociais. Mas tenho esperança de que, com a vacina, possamos ter um instrumento poderoso, à nossa disposição, para combater esta doença.

No dia 11 de dezembro, a Agência de Medicamentos dos EUA (FDA) aprovou a vacina da Pfizer-BioNTech. Falou-se de pressão política,  por parte da Casa Branca, que admitiu demitir o responsável da FDA caso o processo de vacinação não fosse aprovado.

Eu sei que os ensaios clínicos começaram em abril ou maio. E já existem alguns dados substanciais para que se possa apresentar a vacina como uma possível solução.

Foi uma das primeiras pessoas a receber a vacina, pelas 7h30 de quarta-feira. Como é que se sentiu?

Não tive medo, mas sim hesitação, porque toda a gente pergunta o mesmo:_“Como é que se arranja uma vacina tão depressa, em menos de um ano?”. É rápido, mas os dados são muito positivos. E ainda não terminaram os testes, os investigadores continuam a monitorizar todas as pessoas que entraram nos ensaios clínicos. Os efeitos adversos são aqueles que estão registados. Os hospitais fizeram um bom trabalho naquilo que diz respeito à educação dos profissionais de saúde. Disseram-nos mais ou menos isto:_“Esta é a vacina, existem estes efeitos, este é o grau de eficácia. Que perguntas têm para que, ao respondermos, possamos eliminar as vossas reticências?”.

Portanto, estava suficientemente elucidada para tomar a decisão.

Sim. Existem dois aspetos que não podemos esquecer: por um lado, este coronavírus teve outros antecedentes, o Mers-CoV e o Sars-CoV. Os investigadores pegaram nestes elementos e usaram-nos; por outro lado, a burocracia que prolonga a aprovação de uma vacina foi posta de lado. E acho que estes factos conseguiram remover, a certo ponto, a hesitação porque não se podem negar. E quando me respondem com estes factos, não consigo contra-argumentar e, pessoalmente, fiquei aliviada quando tomei a vacina. Pensei: “O passo número 1 está dado. Vamos para o número 2, estamos a caminhar em frente”. Senti-me bem. A única coisa que foi desconfortável foi uma leve dor no deltoide, no músculo onde levei a vacina, mas desapareceu em menos de 24 horas. Não tomei medicação nenhuma. Não tive febre nem dores musculares para além daquela que mencionei.

Quais são as principais diferenças entre as vacinas da Pfizer-BioNTech e da Moderna?

A vacina da Pfizer foi 95% eficaz na prevenção de covid-19 entre os pacientes que foram monitorizados por uma média de dois meses após a receção da segunda dose. Oito dos 18.198 primeiros participantes que receberam a vacina desenvolveram covid-19, em comparação com 162 dos 18.325 participantes que receberam o placebo.

Esses são os dados do comunicado de imprensa, da BioNTech, do passado dia 18 de novembro, certo? Mas e a vacina da Moderna? A eficácia é de apenas menos 0,5%.

Sim. Esta segunda vacina apresentou 94,5% de eficácia na prevenção de covid-19 entre aqueles que foram monitorizados por uma média de sete semanas após a segunda dose. Cinco dos 13.934 participantes do estudo, que aceitaram receber a vacina, desenvolveram a doença, em comparação com 90 dos 13.883 participantes que receberam o placebo. Portanto, se me perguntar qual das duas prefiro, penso que estes valores não têm grande significado. Tanto faz, para mim é igual.

Relativamente às faixas etárias mais avançadas, no seu ensaio de Fase 3, a vacina Pfizer-BioNTech foi 93,7% eficaz em pessoas com 56 anos ou mais. Também foi 95,6% eficaz em pessoas entre 16 e 55 anos. A seu lado, no mesmo ensaio de Fase 3, a vacina desenvolvida pela Moderna apresentou 100% de eficácia em pessoas com 65 anos ou mais, e também foi 93,4% eficaz em pessoas com idades entre 18 e 64 anos.

Não devemos estar com tantos preciosismos. A eficácia já se situa num patamar tão elevado que pequenas percentagens podem não fazer a diferença. São margens curtíssimas, mas eu não sou investigadora, não consigo falar muito sobre os números. Se me perguntasse qual preferia dar aos meus doentes, não conseguiria responder porque foco-me na eficácia apenas. E o facto de que há outras 150 vacinas a ser estudadas no mundo é absolutamente incrível. Vamos ver o que aparece no futuro. Há a pressão de apresentar uma vacina eficaz e com boa margem de segurança. Bem-haja os investigadores!

No caso do estudo da Pfizer, 80% dos que receberam a vacina relataram dor de curta duração no local da injeção tal como referiu. Os outros efeitos colaterais passam pela fadiga, dor de cabeça, dores musculares, pelos calafrios e por dores nas articulações. No entanto, estes foram relatados com mais frequência no ensaio da Moderna do que no da Pfizer.

Aproximadamente 90% dos que receberam a vacina da Moderna relataram dor de curta duração no local da injeção após a administração das duas doses. No ensaio, a dor no local da injeção foi muito menos comum nas pessoas que receberam o placebo. Os efeitos colaterais mais comuns foram fadiga, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e dores nas articulações. Depois de receber uma segunda dose da vacina, 63% dos participantes do estudo tiveram dor de cabeça, 68% fadiga, 45% dores nas articulações e 48% calafrios. E_os números da Pfizer são muito parecidos. Isto é, o mais importante é saber se os efeitos são graves e se a vacina vale a pena. Eu consigo tolerar uma dor e a fadiga. O que vou fazer é considerar a possibilidade de ter efeitos, então, levei a vacina no último dia de trabalho antes de ter dias de folga para recuperar caso fosse necessário. Tenho outros colegas que tomaram Benuron e Brufen antes de levarem a vacina na eventualidade de experienciarem algum efeito adverso. Os números, entre 20 e tal e 40 e tal por cento, margens que não são significativas em variados parâmetros... diria que o essencial é saber se os efeitos são ligeiros e toleráveis. Se me dissessem que 50% dos pacientes tinham anafilaxia, já seria diferente.

Portanto, as pessoas devem pensar que os efeitos podem surgir tal como com a toma de um medicamento, digamos assim?

Precisamente, porque há sempre efeitos a considerar quando estamos a introduzir algo que não é natural no organismo. É mais ou menos aquilo que acontece com a vacina da gripe: há anos em que causa algum desconforto e, noutros, é como se nada tivesse acontecido.

No Twitter, o Presidente Donald Trump, criticou a FDA, escrevendo que a mesma é “uma tartaruga grande, velha, lenta”. Depois celebrou a decisão:_“Primeira vacina administrada. Parabéns EUA! Parabéns mundo”, escreveu. Como vê estas declarações?

Eu acho que a melhor solução para o medo é a informação. Quanto mais houver, mais deliberada será a decisão dos cidadãos. Eu não sei o que se passa por detrás das cortinas nos bastidores da política: são os dirigentes políticos que dizem certas coisas por uma determinada razão ou alguém fá-los dizê-las. Só sei que, da minha parte, quis receber a vacina e estou a promover a educação.

Em Portugal, a ministra da Saúde, Marta Temido, revelou esta quinta-feira em conferência de imprensa que o primeiro lote de vacinas contra a covid-19 terá 9750 unidades e será destinado a profissionais de saúde. Acredita que os profissionais de saúde devem dar o exemplo e vacinar-se, dando o primeiro passo para que os outros cidadãos façam o mesmo?

Acabamos por ser um exemplo. Se as pessoas se sentarem em frente da televisão ou a ver as notícias no telemóvel, por exemplo e observarem, percebendo aquilo que nos acontece, acho que se ficarão mais tranquilas. Sinto-me confiante, sei que faço aquilo que é certo para mim e para os outros. A administração da vacina não foi obrigatório, não pode ser, não é uma substância aprovada nos EUA – só com esta autorização de emergência é que foi possível ser administrada aos profissionais de saúde –, portanto, acho que o facto de nos termos “chegado à frente” tem ainda mais peso e mais significado precisamente por não ser de cariz obrigatório.

Algum dos seus colegas recusou levar a vacina?

Que eu saiba, no meu hospital, não houve ninguém que não a quisesse tomar. Os meus colegas tiram fotos e partilham-nas no Facebook, colocando na legenda, com muito orgulho, que receberam a vacina. Se podemos, porque não?

É possível comparar a gestão política da pandemia nos EUA e em Portugal?

O exemplo dos EUA não é dos melhores porque nem toda a gente pensa da mesma maneira. Sem querer nomear pessoas – e não tenho acompanhado muito de perto o caso português –, obviamente que a comunicação de saúde falha. Por isso mesmo é que a postura didática do doutor Anthony Fauci foi muito importante. A questão é que este país é diferente do resto do mundo porque tem uma tendência alarmista – o que não é mau considerando a pandemia, mas há um esforço muito grande - mas, apesar das fake news que circulam nas redes sociais, também nas mesmas se nota um grande esforço da parte dos investigadores para tentar educar os norte-americanos com base na factualidade e na ciência. A população é muito diversa e temos muitas pessoas com voz ativa, algo que nem sempre é positivo porque surgem teorias da conspiração baseadas em não sei bem o quê, mas acho que o maior entrave é o facto das pessoas não entenderem ou não quererem entender a necessidade de cumprir as medidas de prevenção. Por exemplo, parece-me que as pessoas desinfetam as mãos, os estabelecimentos fazem um esforço para que as regras sejam seguidas, mas naquilo que diz respeito à utilização das máscaras... a situação é distinta. 

Como assim?

Existe aquela ilusão de que estamos em dezembro, isto começou em março, estamos fartos e queremos ver os nossos familiares e amigos. E isso é notório através dos picos de contágio que se têm registado em datas como o Dia de Ação de Graças. Duvido que os norte-americanos pensem “vamos lutar contra as medidas”, contudo, o pensamento deve seguir uma linha do género “Vamos relaxar um bocadinho. Estamos a sofrer psicologicamente”. E imagino que esta tendência seja generalizada noutros países, porque humanos serão humanos, não importa a geografia.

É curioso que diga isso porque, no dia 11 de dezembro, Marta Temido enalteceu o trabalho do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) no combate à pandemia de covid-19 e não conteve as lágrimas.

Tem de ser criada uma ponte entre os lideres e a população. O facto de sermos humanos é aquilo que nos une. Não é o medo, a revolta, a angústia nem o ódio. É simplesmente sermos todos humanos. E tenho visto, em várias partes do mundo, como na Nova Zelândia –  com a grande ação política da primeira-ministra Jacinta Ardern -, que há efetivamente a tendência para que essa ligação seja feita. Nos EUA, alguns líderes que tentam ser mais próximos da população, recorrendo à empatia, têm bons resultados. Em Portugal a mesma coisa. Porém, quando falei com algumas pessoas daí, tanto familiares como amigos, percebi que ainda há muito medo em relação à  vacina. Se calhar é porque os portugueses são muito mais expressivos e os norte-americanos nem sempre demonstram aquilo que lhes vai na alma, mas voltamos à importância do exemplo: acho que, ao começarem a ver que os profissionais de saúde enfrentam este medo coletivo, numa perspetiva de “não vou só por mim, vou por nós”, os portugueses terão mais confiança para seguirem para a vacinação.

Concorda com a perspetiva de que, independentemente da existência da vacina, as medidas de prevenção devem continuar a ser seguidas?

Se houver esta progressão de esperança, de confiança na ciência e não em vídeos no YouTube, se houver esta camaradagem entre pessoas para serem mais para os outros e para si próprios, vamos sair desta crise bem. E protegidos desde que respeitemos o próximo. Mesmo que toda a gente seja vacinada, precisamos de dados científicos indicativos de que podemos relaxar aqui e ver aquilo que acontece, relaxar ali e ver aquilo que acontece. Não se pode mandar tudo ao ar porque senão não temos receita para o sucesso, estarão reunidas as condições para o desastre. É que temos de nos consciencializar de que as pessoas que aceitaram participar nos ensaios clínicos não tiraram as máscaras, não foram enviadas para a sociedade sem o respeito pelas medidas de prevenção. Não podemos descuidar-nos nem pensar que está tudo resolvido, porque há estirpes do vírus. Em poucas palavras:: mais vale prevenir do que remediar. 

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