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Covid-19. Tentar salvar a noite de Natal

Covid-19. Tentar salvar a noite de Natal

AFP João Campos Rodrigues 16/12/2020 20:21

Espanha pondera apertar restrições na noite de Natal e OMS pede que se use máscara. Receiam-se os impactos nos mais velhos e nas crianças.

 

A Europa procura soluções para o primeiro Natal em tempos de pandemia de covid-19, consciente de que poderá haver um pico de casos após as festividades. Por todo o continente, a tendência foi aumentar restrições nas semanas anteriores, para baixar os contágios antes das tradicionais reuniões familiares. Contudo, agora, face ao aumento dos contágios, o Governo espanhol pondera endurecer medidas e voltar atrás com a permissão de que se reúnam até dez pessoas dentro de casa na noite de Natal.

“Não vamos deitar tudo a perder. Depende de nós não abrir a porta a uma terceira vaga”, apelou ontem o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, referindo que a campanha de vacinação contra a covid-19 começa já no início de 2021. 

“A melhor maneira de prevenir contágios é cada um de nós agir como se estivesse infetado, porque não sabemos se estamos”, explicou Sánchez, cujo país registou mais de 11 mil novas infeções esta quarta-feira, batendo os 200 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

O primeiro-ministro pediu às comunidades autónomas, que estão a cargo de boa parte das restrições, que tivessem o aumento dos casos em consideração quanto aos planos para o Natal. “Vamos desfrutar do Natal em casa, sair apenas por motivos essenciais, cumprir normas de higiene e distanciamento social”, apelou.

 

Uma estranha noite de natal Não é só Espanha que pede mais cuidados na noite de Natal. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já pediu aos europeus que, se passarem o Natal com a família, o façam ao ar livre ou usando máscara, caso estejam dentro de casa. 

“Pode ser estranho usar máscara e praticar distanciamento social quando estamos rodeados de família e amigos, mas fazê-lo contribui significativamente para garantir que todos se mantêm seguros e saudáveis”, escreveu ontem a agência das Nações Unidas no seu website.

“Pessoas vulneráveis, amigos ou familiares mais velhos poderão ter dificuldade em pedir aos seus entes queridos que se afastem fisicamente, independentemente das preocupações que tenham”, acrescentou a OMS, aconselhando: “Tenham em consideração o que os outros podem estar a sentir e as decisões difíceis que estarão a enfrentar”.

 

Crianças Além dos mais vulneráveis ou dos idosos, há crescente preocupação com o bem-estar das crianças, que esperam o ano todo pelo tão desejado dia de Natal. Antes do mais, importa explicar calmamente o que se passa e por que razão este ano é tão diferente, disseram ao El País o epidemiologista Jésus Ruiz, o pediatra Iván Carabaño e Joan Carles Cerdà, professor de Saúde Pública, que deixaram alguns conselhos aos pais.

“O uso de máscara pode ser aplicado de uma maneira lúdica, com trabalhos manuais, para torná-las mais natalícias. Assim, as crianças estão entretidas enquanto se prepara a comida”, aconselham. “Falar em tom baixo, não gritar nem cantar pode resultar num controlo complicado da expressividade das crianças”, acrescentam. “Podemos ajudar planeando jogos antes de chegar ao ponto de encontro, como o desafio do jogo do silêncio. Podemos fazê-lo de maneira que quem cumpra melhor tenha uma recompensa no final da reunião familiar”. 

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