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Governo admite que TAP pode precisar de financiamento de mais de 3,7 mil milhões até 2024

Governo admite que TAP pode precisar de financiamento de mais de 3,7 mil milhões até 2024

Mafalda Gomes João Santos 11/12/2020 13:46

O ministro das Infraestruturas esclareceu que estas são as necessidades de financiamento da companhia aérea, o que “não quer dizer que tem de ser com garantia pública”. "Gostávamos que TAP se conseguisse financiar no mercado", esclareceu.

O Governo apresentou esta sexta-feira o plano de reestruturação da TAP – que está, desde ontem, nas mãos da Comissão Europeia. Em conferência de imprensa, o ministro Pedro Nuno Santos confirmou que a companhia aérea terá ainda necessidades de financiamento de 3414 a 3725 milhões de euros até 2024.

O ministro das Infraestruturas esclareceu que estas são as necessidades de financiamento da companhia aérea, o que “não quer dizer que tem de ser com garantia pública”. "Gostávamos que TAP se conseguisse financiar no mercado", esclareceu.

Numa longa explicação, Pedro Nuno Santos adiantou que depois do empréstimo do Estado de 1,2 mil milhões de euros este ano, a TAP vai precisar entre 970 e 1164 milhões de euros em 2021.

A empresa vai ainda precisar de financiamentos entre 463 e 503 milhões em 2022, entre 379 e 438 milhões em 2023 e entre 392 e 420 milhões em 2024. O plano de recuperação prevê que o break even operacional – ou seja, quando a operação passar a representar ganhos – será atingido em 2023. Segundo o plano, companhia já terá um resultado operacional positivo em 2024, embora ainda tenha necessidades de financiamento. "Em 2025 [a TAP] estará em condições de começar a devolver dinheiro ao Estado", afirmou o ministro.  

Perdas de receita na ordem dos 6,7 mil milhões até 2025. Foi uma longa explicação que procurou contextualizar a TAP no passado e no presente. O ministro das Infraestruturas anunciou que as estimativas portuguesas – mais conservadoras que o cenário da IATA (Associação Internacional de Transportes Aéreos, na sigla em inglês) – indicam que a transportadora vai perder receitas na ordem dos 6,7 mil milhões de euros até 2025. “Uma perda de receitas desta dimensão exige que a TAP faça um ajustamento da sua dimensão para que o peso do apoio público e dos portugueses seja menor, e para termos uma companhia mais bem preparada para beneficiar da recuperação económica”, disse.

Pese o cenário de crise, Pedro Nuno Santos voltou a chamar a atenção para as dificuldades que a empresa já atravessava no período pré-covid – quando era gerida por David Neeleman –, admitindo que, com ou sem pandemia, a empresa teria sempre de “fazer uma restruturação profunda” para que conseguisse “sobreviver e até crescer no futuro”. “A TAP tinha e tem um conjunto de ineficiências que a tornam menos competitiva do que os seus concorrentes, que são as companhias de bandeira. Antes da covid-19 tinha já um conjunto de desvantagens competitivas face às congéneres, que são as companhias de bandeira (como a Iberia, KLM ou Lufthansa), e não as lowcost”, recordou o ministro.

Recorde-se que a TAP não teve acesso ao mecanismo de exceção criado pela Comissão Europeia no âmbito da pandemia (a que acorreram Lufthansa ou Air France, entre outras), devido aos prejuízos acumulados ao longo dos últimos anos. A companhia ficou enquadrada no programa de resgate ao abrigo do artigo 107 (que já existia antes da pandemia), que permite ajudas públicas temporárias, mas exige uma reestruturação profunda. “Não mudaria nada” do ponto de vista daquilo “que é necessário fazer-se na companhia para que ela seja viável e sustentável a prazo”. “Não estamos a fazer [a reestruturação] porque somos obrigados por terceiros, mas porque, infelizmente, a realidade obriga”, referiu Pedro Nuno Santos.

A título de exemplo, o ministro adiantou que foi identificado que a TAP “tem mais 19% de pilotos por aeronave e tem mais 28% de tripulantes do que as concorrentes”. “Isso tem consequências no negócio”, afirmou, alertando também para a ‘tendência de aumento’ (de 37% entre 2017 e 2019) dos pilotos nos últimos anos, que “foi acentuada com a gestão privada”. “Os nossos pilotos ganham mais do que alguns concorrentes, como a Ibéria (...) os custos laborais que a empresa enfrenta são um peso que tornam difícil a relação com companhias de bandeira na Europa”, lamentou.

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