7/3/21
 
 
Estudo indica que património cultural pode gerar dobro de visitas e triplo da receita

Estudo indica que património cultural pode gerar dobro de visitas e triplo da receita

Jornal i 09/12/2020 18:01

Analisado o potencial financeiro da abertura ao público de mais de 4 mil imóveis classificados.

O património imóvel classificado em Portugal pode produzir o dobro dos visitantes e o triplo da receita de bilheteira, conclui um estudo divulgado esta quarta feira.

“Estudo Património Cultural em Portugal: Avaliação do Valor Económico e Social” é o nome da investigação levada a cabo por Catarina Valença Gonçalves, diretora da Spira, empresa privada da área do património cultural, José Maria Lobo de Carvalho, diretor do Observatório do Património, e José Tavares, professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa — School of Business and Economics, e financiado pela Fundação Millennium bcp.

Entre 2018 e 2019, esta equipa baseou-se em mais de 4 mil imóveis classificados existentes nos 308 concelhos do país. De acordo com o estudo, este património poderia gerar um emprego a tempo inteiro por cada 25 mil visitantes/ano, por cada unidade patrimonial; além de aumentar em 3% os empregos ligados à hotelaria e em 3,4% as dormidas por município.

Às estatísticas já existentes, referentes aos visitantes dos 4.575 imóveis classificados entre 2015 e 2017, adicionaram-se dados sobre a caracterização económica e social da população e ainda os resultados de um inquérito realizado às autarquias dos 308 concelhos do país.

Segundo Catarina Valença Gonçalves, o estudo é pioneiro em Portugal, onde, até hoje, “não existem estatísticas para o património cultural, nem uma política de recolha a nível nacional”.

A diretora da Spira revelou ter tido “grandes dificuldades” em obter dados, principalmente, a nível local, porque uma grande parte da informação é recolhida por várias entidades, como a Direção-geral do Património Cultural, as direções regionais de Cultura ou a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural de Lisboa, “mas não há um organismo que reúna todos os dados do país, de todos os tipos de património classificado”.

“Atualmente estão abertos ao público e com entradas controladas 250 destes pontos patrimoniais, e foi nesses que nos baseámos para estimar o potencial económico e social do universo de 4.575”, explicou, à agência Lusa, Catarina Valença Gonçalves, acrescentando que estes bens são “o suprassumo do património imóvel do país”.

A estimativa do potencial de visitante e receitas é feita com base nos dados referentes a 2019, extrapolando os valores para o total de imóveis que estariam acessíveis. “O nosso objetivo era responder à questão: se fossem abertos ao público os outros 4.325 monumentos, quantos visitantes poderíamos ter, e respetivas receitas de bilhética?”, indicou a investigadora à agência Lusa.

A investigadora fez ainda questão de sublinhar que os imóveis em causa constituem “um potencial muito significativo, que vem confirmar este recurso como um ativo estratégico importante”.

Ler Mais


Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×