19/1/21
 
 
Governo britânico muda planos devido à fragilidade da vacina

Governo britânico muda planos devido à fragilidade da vacina

Vacina da Pfizer não pode ser deslocada mais de quatro vezes, impedindo a aplicação imediata em lares.

As autoridades de saúde portuguesas, que estão a ultimar o plano de vacinação, certamente estarão a olhar com atenção para o que se passa nos hospitais britânicos, que se preparam para receber as primeiras doses da vacina da Pfizer e da BioNTech já a partir de 7 de dezembro, avançou o Guardian.

O processo começou com um caso que ilustra bem os desafios logísticos pela frente. O Reino Unido já foi obrigado a alterar os seus planos, devido à própria natureza da vacina da Pfizer e BioNTech, particularmente frágil – precisa de ser mantida num a uns extraordinários -70ºC, só pode estar num frigorífico normal uns meros cinco dias até à toma e deve ser deslocada o mínimo possível.

Subitamente, o plano do Governo britânico, divulgado em setembro, que previa vacinar primeiro os idosos em lares, e só depois profissionais de saúde e pessoas com mais de 80 anos em hospitais, ficou obsoleto. As autoridades de saúde britânicas acreditam que se a vacina “for deslocada mais de quatro vezes arrisca ficar instável e sem efeito”, lia-se no Guardian.

“Quando chegar aos hospitais britânicos, ela já foi deslocada duas vezes, da fábrica da Pfizer na Bélgica, para pontos de armazenamento no Reino Unido, e daí para os hospitais, onde pode ser administrada”, continuava a notícia. Algo que torna a ideia de levar a vacina diretamente a lares impraticável, obrigando o Governo a considerar os profissionais de saúde como primeira prioridade na vacinação.

 Contudo, mesmo que no que toca a profissionais de saúde, ainda há outra dificuldade. É que as orientações do Governo britânico são no sentido de que haja várias semanas de intervalo entre a vacina da gripe e a da covid-19 – nas últimas semanas, o Serviço Nacional de Saúde apelou a todos os funcionários para que tomem as suas vacinas da gripe o mais depressa possível.

Seja como for, é cada vez mais provável que os idosos tenham de esperar para ser vacinados com a vacina da AstraZeneca e da Universidade de Oxford. Em vez de ser uma vacina de RNA, como a da Pfizer e da BioNTech, esta vacina usa um adenovírus de chimpanzé – um vírus conhecido por causar constipações – hibridizado com uma proteína do SARS-CoV-2. Na prática, isto significa que pode ser movimentada com mais facilidade e não requer temperaturas tão baixas.

A vacina da AstraZeneca e da Universidade de Oxford ainda tem a vantagem de ter suscitado uma resposta imunitária forte em idosos durante os ensaios clínicos. Contudo, também parte com a desvantagem dos resultados preliminares terem sido um pouco confusos, e mostrarem uma eficácia mais baixa que as vacinas de RNA.

É que “as primeiras vacinas no mercado podem não ser as que têm as melhores características”, salientou Miguel Castanho, investigador do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (IMM). ”Pode ser preciso alguma ponderação, não aceitar logo as que chegam primeiro, manter a presença de espírito, talvez até fazer um compasso de espera”.

Por agora, sabe-se que os grupos prioritários de vacinação em Portugal devem abranger cerca de 800 mil portugueses, entre utentes e profissionais de lares, profissionais de saúde e idosos com doenças severas que possam ser agravadas pela covid-19. As doenças em causa no final da semana passada não estavam ainda fechadas. Já o espetro de idades aguarda a aprovação das vacinas e os Resumos de Características do Medicamento de cada uma. Os planos deverão ser mais detalhados esta semana.

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