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A pão e água. Ativistas sem força mas com determinação

A pão e água. Ativistas sem força mas com determinação

Joana Faustino 30/11/2020 08:32

O movimento está em greve de fome desde sexta-feira em frente à Assembleia da República. O fim? Só quando forem ouvidos por Costa.

Os protestos organizados pelo movimento “A Pão e Água” continuaram este fim de semana em frente à Assembleia da República. A manifestação que ocorreu na passada quarta-feira não foi suficiente para que os empresários da restauração fossem ouvidos pelo Governo e, por isso, os protestos retomaram ainda na mesma semana. Sexta-feira os ativistas deram início a uma greve de fome sem previsão de terminar. Durante a tarde de ontem, os nove manifestantes que se encontravam no Largo de São Bento já estavam há mais de 24 horas sem comer.

José Gouveia, uma das caras do movimento a par com o chef Ljubomir Stanisic, afirma ao i que está preparado para continuar “até que o primeiro-ministro, António Costa, ou o Ministro da Economia aceitem receber os organizadores do protesto”.

O ativista afirma que os trabalhadores do setor da restauração não são “irrealistas” e têm noção da pandemia por que o mundo está a passar mas pedem que não se feche a economia. Quase há dois dias sem comer, José Gouveia confessa: “Estamos a perder a força mas a determinação não”.

O empresário ligado ao setor da diversão noturna diz que a luta já vai para além das reivindicações inicialmente apresentadas: a suspensão da Taxa Social Única (TSU), a descida do IVA em 2021 e a suspensão do pagamento à Segurança Social até junho do ano. José Gouveia considera essencial “salvar a economia” e diz que “não faz sentido termos uma população em confinamento”.

As restrições de mobilidade prolongadas pelo Governo são o que preocupa quem está a dormir em tendas em frente à Assembleia. Para os manifestantes, encerrar os estabelecimentos por causa da pandemia irá fazer com que “não se morra pela doença mas sim pela cura”. A expectativa, diz o empresário, é que o protesto leve a “libertar a população que desde a uma da tarde de sábado está em prisão domiciliária”.

José Gouveia acredita que as medidas impostas pelo Governo são injustas e exageradas e pede que se abra “o comércio e a restauração porque o Estado está falido e não tem dinheiro para nos apoiar”.

A sensibilização e o apoio por parte dos portugueses tem sido crucial para o grupo “A Pão e Água”, diz o responsável. Entre as personalidades conhecidas do público que já vieram apoiar esta causa estão, por exemplo, a apresentadora Filomena Cautela, o cantor Jel e o DJ Mastiksoul.

O recolher obrigatório no município de Lisboa estava marcado para as 13 horas durante o fim-de-semana mas nem isso serviu para levar os manifestantes para casa. No entanto, garantem estar a cumprir as regras do distanciamento social e especialmente do uso da máscara individual.

O movimento foi recebido na sexta-feira pela Casa Civil da Presidência da República mas perante a ausência de “respostas concretas e imediatas” decidiu avançar com a greve de fome, sem termo certo.

José Gouveia apela à população portuguesa para que se juntem à causa e afirma: “nós estamos a fazer uma greve de fome voluntária para que os portugueses não tenham que a fazer por não terem nada para comer”.

Portugal vive o primeiro fim de semana prolongado com proibição de deslocação entre concelhos e recolher obrigatório e encerramento de comércio e restauração da parte da tarde nos concelhos com mais de 480 casos por 100 mil habitantes, incluindo esta segunda-feira e no feriado do 1 de Dezembro. Uma nova avaliação sobre o ponto de situação em cada concelho é esperada esta segunda-feira.

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