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Covid-19. Contágios continuam a aumentar entre idosos [atualizada]

Covid-19. Contágios continuam a aumentar entre idosos [atualizada]

Mafalda Gomes Marta F. Reis 25/11/2020 14:44

Na última semana voltou a verificar-se um novo recorde de infeções acima dos 70 anos. DGS e Segurança Social ainda não fizeram balanço sobre total de infetados em lares.

O aumento de casos de covid-19 tem estado a desacelerar no país, mas não se nota ainda um abrandamento dos contágios entre os mais idosos, os grupos etários em que se tem registado uma maior letalidade associada à infeção com o Sars-Cov-2. Os dados divulgados pela Direção Geral da Saúde, que o i analisou, revelam que na última semana, de segunda-feira a domingo, houve um novo máximo de diagnóstico acima dos 70 anos de idade, com 4949 casos registados em pessoas com 70 ou mais anos. É um novo recorde face ao que se viveu nos últimos meses, sendo que desde o início do novembro já foram contabilizados quase 15 mil casos entre idosos acima dos 70 anos. Um aumento de infeções nos grupos etários de maior risco que tem acompanhado a subida da mortalidade no país associada à doença. Até esta segunda-feira, 23 de novembro, registaram-se 1512 mortes associadas à covid-19, agora já mais do dobro das 820 mortes registadas no mês de abril e um número que em breve deverá duplicar o registo do que era até aqui o mês mais negro da epidemia.

Os dados disponibilizados pela DGS permitem ainda concluir que do total de mortes associadas desde o início do mês à covid-19, 88,6% das vítimas mortais tinham mais de 70 anos de idade, com 302 mortes entre septuagenários infetados com o coronavírus e 1039 mortes acima dos 80 anos de idade. Registaram-se 115 mortes em pessoas na casa dos 60 anos, que também têm sido progressivamente mais atingidas pelos contágios, e 56 mortes abaixo dos 60 anos. A mortalidade a nível nacional tem estado acima do que é esperado nesta altura do ano, com um pico de mortes na região Norte a superar já o que se viveu no inverno de 2019. Todos os invernos costumam registar-se picos de mortalidade, associados a infeções respiratórias e frio, sendo que no início deste ano registou-se menor mortalidade do que em anos anteriores. O dia 15 de novembro, com 447 mortes no país, é até aqui o dia com mais mortes desde o início do ano. Recorde-se que neste dia foram reportadas um recorde de 91 mortes associadas à covid-19, mais de metade na região Norte. A plataforma nacional de vigilância de mortalidade revelava ontem que nos últimos sete dias verificaram-se 479 mortes acima do esperado face à média dos últimos anos, em particular no Norte, a região mais afetada nesta segunda vaga da epidemia de covid.19.

DGS e Segurança Social não revelam total de infetados em lares

Não foi disponibilizada até ao momento uma análise sobre o aumento de casos em idosos, que se verificou semana após semana desde o verão, nem sobre o número de mortes em lares. Em outubro foram diagnosticados 8500 casos acima dos 70 anos anos de idade, um balanço já largamento ultrapassado este mês. A diretora-geral da Saúde revelou na conferência de imprensa desta segunda-feira que estão identificados 182 surtos ativos em lares de idosos, mas desde outubro que não existe um balanço quer por parte da Saúde quer por parte da Segurança Social sobre o total de idosos em infetados em lares e estruturas residenciais.

No pico da primeira vaga, em abril, houve um máximo de 2500 idosos infetados em lares, revelaram na altura os responsáveis, o que tudo indica que a esta altura será um universo superior de idosos infetados. O i já solicitou esse balanço às respetivas tutelas bem como informação sobre as medidas tomadas, mas ainda não teve resposta. Esta semana a DGS garantiu que está em marca uma estratégia de rastreamento da população que vive em lares, prevista na estratégia de testagem que entrou em vigor a 9 de novembro. Documento que prevê também a testagem regular de funcionários de lares, que não se sabe em que ponto está. “A Saúde e a Segurança Social vão unir esforços para que esta população tão vulnerável seja rastreada de forma sequencial para ajudar a identificar mais precocemente casos”,, anunciou Graça Freitas.

Até aqui, os dados mostram que a população mais idosa e com mais risco não tem estado imune à progressão da epidemia no país e que mesmo agora que há um abrandamento das infeções entre crianças e jovens, que dispararam este mês, os idosos continuam a registar um aumento nas infeções. Na última semana, em relação a anterior, diminuíram os casos diagnosticados entre crianças e jovens até aos 19 anos e também se notou uma diminuição dos diagnósticos na casa dos 70 aos 9 anos, mas o grupo em que mais subiram os contágios foi entre sexagenários (+8,8), seguindo-se o aumento de casos nos idosos com mais de 80 anos (+5,3% em relação à semana anterior). Perante esta evolução, é previsível que o número de mortes se mantenha num patamar elevado nas próximas semanas.

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