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Medidas mais musculadas para esmagar curva de casos

Medidas mais musculadas para esmagar curva de casos

Mafalda Gomes Marta F. Reis 24/11/2020 08:34

Mesmo com abrandamento dos casos, pressão sobre os hospitais vai continuar. Desde o início da epidemia, 2,5% dos infetados acabam por precisar de cuidados intensivos.

O aumento dos casos de covid-19 no país tem estado a abrandar, mas não se espera para já um alívio da pressão nos hospitais. O número de doentes internados em UCI deverá passar nos próximos dias os 500 internados. José Artur Paiva explica que os dados sobre a evolução da epidemia têm mostrado que 2,5% das pessoas infetadas acabam por precisar de cuidados intensivos, rondando 10% a 25% dos doentes internados nos hospitais e que acabam por entrar em falência orgânica. Nos casos menos graves, os internamentos podem durar uma semana, nos casos mais críticos os doentes permanecem em UCI três semanas. “A inclinação da curva já não é uma subida tão em pique, mas isso nota-se mais nos doentes internados em enfermaria, nos doentes em UCI ver-se-á um pouco mais tarde”.

José Artur Paiva acredita que o abrandamento dos casos possa refletir as medidas tomadas há 15 dias, mas considera que é preciso mais longe no esmagar da curva. “Precisamos de um contrato social em que as pessoas adotam comportamentos mais seguros e para isso precisamos de líderes políticos que convoquem toda a gente para abdicar de um pedacinho das suas liberdades transitoriamente de estarem com amigos. Não chega ficarmos num planalto, porque teríamos um número muito mais elevado do que tivemos na primavera. Precisamos eventualmente de uma musculação de medidas mas acima de tudo que os líderes consigam um respeito muito significativo por estas medidas. Não faz sentido muscular as medidas e depois abrir exceções ou não conseguir convocar todos para as cumprir”.

O gabinete de crise da Ordem dos Médicos alertou ontem para a necessidade de clareza e coerência nas medidas, propondo um reforço da intervenção. A Ordem propõe que se mantenham as medidas mais restritivas nas zonas de maior risco (entre os 240 e os 480 casos por 100 mil habitantes), depois de no fim de semana o Governo ter retirado o recolher obrigatório ao fim de semana nos concelhos neste patamar. A Ordem propôs ainda que a proibição de deslocação entre concelhos vigorasse não só nos fins de semana prolongados de dezembro mas ao longo de todo esse período de 12 dias, salvaguardando o acesso a escolas. Defendeu ainda a generalização de testes rápidos, quer no rastreio de contactos de alto risco quer implementando rastreios generalizados da população em zonas de risco extremamente elevado (com mais de 960 casos por 100 mil habitantes).

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