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Hospital Santa Marta realiza primeiro tratamento por cateterismo em bebé de sete meses no país

Hospital Santa Marta realiza primeiro tratamento por cateterismo em bebé de sete meses no país

jornal i 21/11/2020 11:39

O bebé, com sete quilos, já tinha sido submetido a duas cirurgias por uma malformação congénita do coração e tinha taquicardia resistente a todos os medicamentos.

Pela primeira vez, Portugal realizou um tratamento por cateterismo num bebé de sete meses, que sofria de taquicardia resistente aos medicamentos, avançou a Lusa. O interveção cirúrgica ocorreu no Hospital Santa Marta, em Lisboa, no final de outubro. Desde então o bebé não teve mais nenhum episódio de taquicardia.

Este tratamento é normalmente utilizado em crianças mais velhas, com idades a partir dos 8, 10 anos. O bebé, com sete quilos, já tinha sido submetido a duas cirurgias por uma malformação congénita do coração e tinha taquicardia resistente a todos os medicamentos. Depois de estes procedimentos não terem sucesso, os médicos decidiram apostar no cateterismo, utilizando a ablação das vias anómalas.

“São materiais que são feitos especialmente a pensarem em adultos e têm um tamanho grande e em crianças, principalmente mais pequenas, são muitos poucos os sítios no mundo que fazem estes tratamentos, preferem sempre tratar os doentes com medicação, tentar estabilizar e deixar crescer”, explicou o cardiologista pediátrico que realizou o procedimento, Sérgio Laranjo, à Lusa.  “O tamanho do coração do bebé é tão pequeno que manipular estes materiais dentro do coração, localizá-los e depois fazer um procedimento com segurança é algo que exige muito esforço e muito treino", acrescentou. 

Segundo o profissional de saúde, a situação deste bebé era ainda "mais complexa" pois tinha problemas na estrutura do coração, já tinha sido operado, e o acesso que tinham para chegar ao coração era uma veia no pescoço.  "Os elétrodos quase ocupavam o volume disponível dentro do coração" e encontrar ali "algo milimétrico" é muito difícil, explicou ainda. 

Sérgio Laranjo afirma que deve-se começar a realizar estes processos em crianças mais novas e avançar com este processo em "segurança e com confiança". "Não necessariamente no primeiro ano de vida, mas eventualmente numa idade mais jovem 5, 6 anos de idade, em vez de serem tratados quando são adolescentes e andarem 10 anos a fazer medicamento, ir a 50 consultas, fazer 200 exames, fazer cinco ou seis internamentos", acrescentou. 

A diretora do Serviço de Cardiologia Pediátrica do CHULC, Fátima Pinto, mostrou-se bastante satisfeita com a realização do procedimento. “Isto é a prova que apesar da covid-19 ainda há hospitais que estão a fazer inovação, técnicas novas, a promover os melhores cuidados aos doentes”, afirmou. 

Notícia corrigida às 16h39 de 22 de novembro

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