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MotoGP. Temporada histórica vê os últimos raios de sol no Algarve

MotoGP. Temporada histórica vê os últimos raios de sol no Algarve

Laura Ramires 20/11/2020 22:04

O MotoGP está de volta a Portugal 8 anos depois: Miguel Oliveira vai fechar a temporada em casa e espera “ter uma boa performance para os fãs terem uma razão extra para gostarem do espetáculo”. O almadense é 10.º do campeonato, que foi conquistado na semana passada por Joan Mir.

O Mundial de MotoGP 2020 vai fechar portas em solo português. Este domingo acontece a 14.ª e derradeira corrida de uma das temporadas mais dinâmicas de sempre – pelo menos no que respeita aos resultados. É certo que o campeão já está apurado, com Joan Mir a garantir o seu primeiro título de sempre na categoria rainha do motociclismo na penúltima ronda, o Grande Prémio de Valência, realizado no último fim de semana. Facto curioso: o piloto espanhol, de 23 anos, sagrou-se campeão mundial numa temporada em que conquistou precisamente o mesmo número de vitórias do que o português Miguel Oliveira (KTM_Tech 3). Aliás, o mesmo resultado de mais outros sete pilotos, numa época atípica também devido à pandemia de covid-19: foram 9 vencedores diferentes em 13 etapas já realizadas: além do sucessor do compatriota Marc Márquez na lista de campeões do Mundo em MotoGP e do almadense; também Franco Morbidelli, Alex Rins, Maverick Viñales, Fabio Quartararo, Andrea Dovizioso, Brad Binder e Danilo Petrucci venceram pelo menos uma etapa da presente edição deste Campeonato do Mundo. Ainda assim, o espanhol acabou por fazer uma temporada mais regular e chegar ao título, com o único triunfo alcançado no GP Europa, antepenúltima ronda da competição. Mir, campeão mundial em Moto3 em 2017, quebrou ainda o jejum de 20 anos da Suzuki, que havia vencido pela última vez o título mundial vez em 2000, com Kenny Roberts. À entrada da etapa de despedida, que irá realizar-se no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão, Mir soma 171 pontos, mais 29 do que Morbidelli (Yamaha), segundo classificado do campeonato. Já Miguel Oliveira vai fechar a época em casa numa altura em que ocupa o 10.º lugar da geral, com redondos 100 pontos – está a cinco de distância do 9.º posto, ocupado pelo japonês Takaaki Nakagami (Honda). Recorde-se que Oliveira vai competir na equipa oficial da KTM já em 2021, depois de duas temporadas na equipa satélite do construtor austríaco. Em 2019, na estreia na classe rainha, o piloto luso terminou em 17.º lugar.

 

O ano histórico do “sr. inteligência” 

Foi durante o último mês de agosto que o atleta natural de Almada conseguiu a primeira vitória em MotoGP, um feito histórico para o desporto português. O_primeiro lugar foi registado no GP Estíria, na Áustria – uma vitória que correu mundo graças à dupla ultrapassagem que fez a Pol Espargaró e Jack Miller na última curva. À data, a organização do Mundial descreveu o final da etapa austríaca como “uma das mais emocionantes últimas curvas da história do MotoGP”.

“O Senhor Inteligência usou o seu cérebro, observou e deixou todos para trás”, comentou na altura o narrador da BT Sports. Por sua vez, o espanhol Marca escreveu: “Miguel Oliveira levou uma incrível vitória num final impróprio para cardíacos. O português fez a sua estreia em casa da KTM após aproveitar a luta entre Pol e Miller (…) O português cedia metros e parecia que ia ser uma coisa entre dois. A Pol tocava tapar todas as partes mas Miller passou na curva 4. Espargaró tentou devolver na 9. Os dois saíram largo e Oliveira superou ambos. Brutal”.

Além do resultado histórico registado na 5.ª etapa, Oliveira alcançou ainda por duas ocasiões o quinto lugar, no GP Europa e no GP Emilia Romagna, naqueles que foram os segundos melhores resultados da época. Somam-se ainda os quatro sexto lugares (GP Valência, GP Teruel, GP França e GP República Checa), o oitavo lugar arrancado na etapa inaugural, em Espanha, e o 11.º lugar conseguido no GP de São Marino. De resto, Miguel Oliveira não terminou três etapas devido às quedas, o GP Andaluzia, o GP Áustria e o GP Catalunha e foi ainda 16.º no GP Aragão.

 

A despedida da Tech 3 dois anos depois

A preparar a última corrida também pela Tech 3, o luso já deixa saudades na equipa. O francês Hervé Poncharal, patrão de Oliveira, afirmou durante a semana que é “com profunda tristeza” que enfrenta “a última corrida com o Miguel”. “Tem estado connosco nos últimos dois anos e desempenhou um papel vital na nossa equipa. Tem sido um jogador de equipa, um grande piloto, mas também uma pessoa muito agradável, com um grande sentido de humor, sempre com a atitude certa e com um sorriso na cara”, disse o dirigente que garantiu a primeira vitória em MotoGP com o triunfo do português no circuito de Spielberg.

Poncharal não tem dúvidas que Oliveira “é uma grande estrela em Portugal”, pelo que “toda a gente está à espera dele” para apoiá-lo na última corrida do ano.

“Teve uma época fantástica até agora. Sabemos que será o centro das atenções. Tem muitas expectativas e espero que possamos dar-lhe o conjunto que precisa para atingir o desempenho que ambiciona. Honestamente, mal posso esperar por chegar, pois é um dos melhores locais do mundo, pelo que ouvimos dizer”, rematou. Durante o dia de ontem, também Miguel Oliveira anteviu o GP_Portugal: “Estou muito feliz e entusiasmado por estar em casa, depois de sete anos sem um Grande Prémio de MotoGP em Portugal”. “Os fãs podem esperar um grande espetáculo, porque esta pista é muito diferente do que vemos no resto do mundo”, acrescentou, antes de concluir: “Espero ter uma boa performance para os fãs terem uma razão extra para gostarem do espetáculo”. O Moto GP regressa a Portugal 8 anos depois – a última corrida aconteceu em 2012, no Estoril.

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