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Como combater o cancro do pâncreas?

Como combater o cancro do pâncreas?

Manuela Machado 19/11/2020 13:31

No Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, que se assinala esta quinta-feira, 19, é fundamental uma mensagem de esperança perante aquela que é a quarta causa de morte no mundo. É possível combater este cenário com a deteção precoce, estar atento aos seus sintomas e consultar regularmente o seu médico.

 

O cancro do pâncreas é hoje a quarta causa de morte por cancro mundialmente, prevendo-se que, em 2030, seja a segunda. Este prognóstico sombrio deve-se, em grande medida, à existência de doença avançada aquando do diagnóstico, sendo por isso essencial estarmos atentos a alguns sinais e sintomas que podem conduzir a um diagnóstico mais precoce, numa fase em que a doença é ainda curável. A propósito do Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, que hoje se assinala, importa alertar para uma vigilância ativa da saúde da população de forma a promover diagnósticos mais precoces e com isso tornar as doenças curáveis.

Em Portugal, todos os anos surgem cerca de 1225 novos casos de cancro do pâncreas. A incidência do cancro do pâncreas tem vindo a aumentar mundialmente, o que se deve em parte ao envelhecimento da população – a idade é o principal fator de risco para a doença – mas também à presença de outros fatores de risco que podem ser evitados ou tratados. A obesidade, uma dieta rica em gorduras, o tabaco, a diabetes mellitus não hereditária e a pancreatite crónica (inflamação do pâncreas) são os fatores de risco mais comuns. Parece ainda haver uma associação com o consumo excessivo de álcool e, em alguns estudos, com o café.

Apesar de ser um dos tipos de cancro mais graves e com a taxa de sobrevivência mais baixa, é possível combater este cenário com a sua deteção precoce. Esta é uma doença habitualmente silenciosa na sua fase inicial e, quando apresenta sintomas, estes tendem, frequentemente, a ser desvalorizados pelo doente. É, por isso, fundamental um acompanhamento médico regular e não desvalorizar os sinais de alerta.

Os sintomas ou sinais mais frequentes, que variam de acordo com a localização do tumor, são a perda de peso, a icterícia (tom amarelado da pele e olhos), frequentemente associada a fezes amareladas e oleosas, urina escura (tipo café), dor na região superior do abdómen e lombar, náuseas, vómitos, diabetes de início recente, entre outros. Se apresentar algum destes, procure de imediato o seu médico, que o irá receber com toda a segurança. Neste contexto de pandemia torna-se ainda mais importante manter a sua saúde devidamente vigiada. A orientação pelo seu médico, com o pedido dos exames complementares necessários, irá contribuir para um esclarecimento diagnóstico mais precoce e um consequente melhor prognóstico.

Embora não exista nenhum método de prevenção do cancro do pâncreas, podemos presumir que hábitos de vida saudáveis como evitar o consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas em excesso, uma dieta equilibrada rica em frutas e vegetais, com ingestão reduzida de gorduras – e ainda a prática de exercício físico, poderão reduzir o risco do aparecimento da doença.

O único tratamento curativo do cancro do pâncreas é a cirurgia. Uma percentagem significativa e cada vez maior de doentes, apresenta, na altura do diagnóstico, um tumor potencialmente operável, mas com elevado risco de não ser removido na totalidade. Habitualmente, estes doentes realizam tratamento prévio à cirurgia, que poderá ser de quimioterapia, radioterapia ou uma combinação de ambas, numa tentativa de reduzir o tamanho do tumor, tornando-o operável.

É fundamental a prevenção e há sempre alguma coisa que se pode fazer, não só na procura de tratamentos mais eficazes, mas também na tentativa de diagnósticos mais precoces, mantendo-nos alerta para as queixas dos doentes, que muitas vezes não são específicas. Neste contexto que atravessamos atualmente, é ainda mais importante uma vigilância ativa. Não adie a sua saúde, consulte o seu médico.

Por Manuela Machado

Oncologista no Hospital CUF Porto

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