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Afonso de Melo 19/11/2020
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

O homem e o seu peixe

ESTOCOLMO – O homem solitário está mergulhado quase até à cintura. Junto a Blasieholmen, de frente para o Hotel Central, os remoinhos são fortes sob a ponte que liga o lago ao mar e confundem as trutas e os salmões, que se julgam a subir a corrente de um rio. É ele e a sua teimosia. Veio um pouco de azul no céu cinzento de Estocolmo, talvez tenha chegado a altura certa de lutar contra a tristeza dos dias fechados, das horas insistentemente curtas. É ele e a sua circunstância: e a sua circunstância é uma cana de pesca que agita de um lado para o outro, procurando que o isco pouse à superfície e voe em seguida, como uma mosca, a atração irresistível para os peixes que procura.

A cidade ignora-o. Ele também parece ignorar a cidade. De um lado tem o Palácio Real, agora em remodelação, do outro tem a Gamla Stan, a Cidade Velha, o movimento da Drottningatan, essa sim, cheia de gente que se cruza, que caminha lado a lado, que ainda há pouco tempo foi atacada por um louco que invadiu o passeio pedonal com uma carrinha de entregas, apontando aos transeuntes, matando uma menina de dez anos que todos os dias, no mesmo lugar, esperava pela mãe. Não sei como se chama o pescador insistente. Não sei o nome da menina morta.

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