1/12/20
 
 
Samuel Eto’o. Do adeus ao até já: camaronês pode furar reforma e juntar-se a lote conhecido

Samuel Eto’o. Do adeus ao até já: camaronês pode furar reforma e juntar-se a lote conhecido

Dreamstime Laura Ramires 18/11/2020 10:03

O Racing de Murcia vai defrontar o Levante na Taça do Rei: direção do clube da terceira divisão espanhola pretende que partida seja histórica – como tal, nada como trazer de volta aos relvados o antigo internacional camaronês, atualmente com 39 anos. De Adu a Pelé, além de o caricato caso de Petr Cech, não faltam exemplos de jogadores que voltaram ao ativo depois do suposto último adeus...

Pouco mais de um ano depois de ter pendurado as botas, Samuel Eto’o pode regressar aos relvados. O Racing de Murcia, da terceira divisão espanhola, pretende tornar-se o responsável por tirar o antigo internacional camaronês, de 39 anos, da reforma. A informação foi avançada esta terça-feira pelo presidente do emblema marciano, Morris Pagniello, que garantiu que atualmente a transferência de Eto’o “está em 50-50”, mas que na próxima semana já haverá decisão final. A direção do clube espanhol tenta repescar o ex-jogador para o jogo com o Levante, a contar para a Taça do Rei (16 de dezembro). O objetivo é simples: que a partida seja histórica. A confirmar-se a contratação do antigo avançado, a missão será logo à partida bem sucedida, uma vez que irá tratar-se da aquisição mais mediática de sempre do modesto clube espanhol. Indiferente aos custos associados à operação, Pagniello mostrou confiança num final feliz: “Temos vários investidores no México e nos Emirados que podem compensar financeiramente a operação”. “Se o contratarmos, o treinador já sabe que tem de alinhar com ele. Mas é evidente que o jogo contra o Levante é muito importante e que é o momento para que haja exceções”, rematou o dirigente.

Ao longo da sua carreira de duas décadas, o avançado vestiu a camisola de 13 equipas de seis ligas diferentes, tendo alinhado em clubes como Real Madrid, Barcelona, Chelsea, Everton e Inter. No total, fez 718 jogos, tendo assinado 359 golos. Já pela seleção dos Camarões, Eto’o marcou 56 golos em 118 internacionalizações.

No currículo apresenta 19 títulos (entre os quais quatro Champions – ao serviço do Real Madrid, Inter e duas pelo Barcelona) e uma medalha olímpica nos Jogos de Sidney. Pelos Camarões venceu ainda por duas ocasiões o Campeonato Africano das Nações (CAN).

Em setembro de 2019, o avançado anunciou o final de carreira, depois de ter cumprido o último ano no Qatar Sports Club.

A menos de um mês do encontro com o clube do primeiro escalão do futebol espanhol, uma coisa é certa: o Racing de Murcia está já nas bocas do mundo. Porém, e apesar da novidade sonante, o presidente do clube da 3.ª divisão também fez questão de avisar de imediato que caso a contratação do camaronês caia por terra, o clube já tem um “plano B preparado”.

Eto’o pode estar assim muito perto de perder o rótulo de retirado e juntar-se a um clube com várias caras conhecidas.

De Adu a Pelé e o caricato caso de Cech Freddy Adu é o exemplo mais recente, depois de ter regressado aos relvados em outubro último. Aos 31 anos, o antigo jogador do Benfica (2007) assinou pelo Osterlen FF, modesto emblema que milita na terceira divisão do futebol sueco. O médio, em tempos conhecido como o “novo Pelé”, estava afastado dos relvados desde dezembro de 2018, quando terminou a ligação ao Las Vegas Lights, clube da USL Championship dos Estados Unidos. O norte-americano acabou, de resto, por ter uma carreira muito longe das expectativas criadas à sua volta e ainda antes já tinha estado sem clube por mais três ocasiões. No Benfica nunca conseguiu impor-se, tendo assinado 17 jogos oficiais na equipa principal e apontado quatro golos. Até terminar a ligação com as águias (2011), a vida desportiva do médio ficou marcada por empréstimos sucessivos, com destaque para a cedência ao Belenenses (2009).

Curiosamente, Pelé também integra a lista dos que quebraram a reforma para voltar a jogar. O ex-internacional brasileiro alinhou ao longo de toda a carreira pelo Santos – pelo menos até anunciar a despedida e voltar para alinhar pelo New York Cosmos, nos Estados Unidos. No emblema norte-americano, Pelé jogou durante três temporadas (desde 1975 até 1977), antes de terminar a carreira pela última vez. Ainda em solo brasileiro, há os famosos casos de Rivaldo e Romário: o primeiro anuncio de despedida do médio chegou no futebol angolano, no Kabuscorp – voltou aos relvados e terminaria novamente a carreira nos brasileiros do Mogi Mirim, em 2014; enquanto o ponta de lança decidiu voltar a calçar as botas um ano e meio depois de se ter despedido no Vasco da Gama, onde se formou – jogou meio ano no América-RJ (2009/10), tendo saído (mais uma vez) muito perto de completar 44 anos.

Em Inglaterra, também Paul Scholes voltaria ao Manchester United (2012) para alinhar por mais um ano e meio, depois de ter anunciado a sua despedida em 2011. O holandês Johan Cruyff (ausente na época 1982/83, regressou entretanto para representar o Ajax, antes de se despedir oficialmente pela última vez no verão de 1984, já pelo Feyenoord); os franceses Djibril Cissé (ex- jogador do Liverpool e Marselha parou entre outubro de 2015 e o verão de 2017, altura em que assinou pelos suíços do Yverdon-Sport, que atualmente competem na III divisão do futebol do país) e Fabien Barthez (ex-jogador do Man. United e Marselha esteve meio ano fora dos relvados antes de regressar para encerrar a carreira no Nantes, em 2007); o alemão Jens Lehmann (o guardião pendurou as luvas no verão de 2010, no Estugarda, mas voltou cerca de meio ano depois para o Arsenal, seu antigo clube, tendo alinhado durante cinco meses antes do último adeus) e o argentino Juan Sebastián Verón (antigo médio do Man. United, Inter e Chelsea anunciou por três ocasiões o final de carreira – sempre no Estudiantes, clube em que se formou) são outros exemplos de jogadores que decidiram interromper a reforma para voltarem a dar o ar da sua graça.

Entre os casos mais conhecidos, nota final para o curioso e caricato exemplo de Petr Cech: imediatamente depois de ter encerrado a carreira de futebolista no verão de 2019, ao serviço do Arsenal, o antigo internacional checo anunciou o seu regresso nos... Guildford Phoenix, uma equipa da quarta divisão britânica de hóquei no gelo. À data com 37 anos, o guarda-redes optou por voltar a calçar as luvas na modalidade que praticou na juventude e que sempre acompanhou ao longo dos 20 anos que jogou futebol profissional. Atualmente, o checo é um dos 25 jogadores inscritos do Chelsea para jogar na... Premier League. Guarda-redes dos blues entre 2004 e 2015, Cech, atualmente com 38 anos, é conselheiro técnico do clube londrino e foi inscrito como “medida de prevenção devido às imprevisíveis condições relacionadas com a covid-19”. Cech juntou-se assim a Willy Caballero, Kepa Arrizabalaga e Edouard Mendy na lista de guardiões disponíveis às ordens de Frank Lampard.

 

Ler Mais


Especiais

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×