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Afonso de Melo 13/11/2020
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

Portugal – a nação-cadáver

Aquilo que os grandes clássicos nos oferecem é terem vivido o futuro por antecipação. Não sei se ainda há neste país alguém que leia Eurico, o Presbítero, mas sei que Herculano andava anos-luz à nossa frente quando chamou a Portugal a Nação-Cadáver. Cadáver malcheiroso, ainda por cima. Fedemos. Eu sinto, a um quilómetro de distância, o fedor de uma farda e da besta que a enverga. Está-me no sangue. De cada vez que sou confrontado com a violência gratuita do justicialismo bacoco e mazombo – a beca e a toga, o cabeção e a gravata também são fardas – percebo o que Guerra Junqueiro queria explicar quando dizia: “O problema não está em salvar Portugal; está em salvarmo-nos de Portugal”. Felizmente ainda consigo, no meio dos labirintos do novo fascismo, este fascismo democrático que nos manda para a cama à dez da noite como se fôssemos governados por papás soturnos, encontrar forma de sair daqui antes que fique completamente atascado na mentalidade comezinha de quem nos governa e regula – ministros, autarcas, secretários, juízes, guardas republicanos, sem que os tenha colocado nesta frase por uma ordem gradual de cavalidade –, gentalha que impõe a sua prepotência a um povo ignorante, inerte e indolente, avesso a pensar e a proceder, crédulo na providência e nos milagres, como o descreveu Basílio Teles, um dos bardos republicanos do tempo do Ultimato.
 

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