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Leffest. Como Kubrick, às voltas com o futuro

Leffest. Como Kubrick, às voltas com o futuro

Cláudia Sobral 11/11/2020 21:53

O 14.º Lisbon & Sintra Film Festival arranca na sexta-feira para uma edição que, não esquecendo o seu tempo, volta a trazer-nos o que de melhor se produziu no último ano no cinema por todo o mundo.

Num ano que foi negro, e não só para os festivais de cinema ou para o cinema ele próprio, e numa altura em que as restrições impostas aos 121 municípios portugueses mais afetados pela pandemia levaram ao prolongamento do festival por três dias (agora até 25 de novembro), o Leffest – Lisbon & Sintra Film Festival arranca neste 13 de novembro para uma 14.a edição que, entre a dificuldade das circunstâncias e a novidade de sessões matinais ao fim de semana, volta a trazer-nos o que de melhor se apresentou nos maiores festivais ao longo de 2020.

A uma competição que reúne os mais recentes filmes de Andrei Konchalovsky (Dear Comrades!), Benoît Delépine e Gustave Kervern (Effacer L’Historique), Sharunas Bartas (In the Dusk), Cristi Puiu (Malmkrog), Alexander Kluge e Khavn (Orphea), Abel Ferrara (Sportin’ Life), Jin Wang (The Best is Yet to Come), Mona Fastvold (The World to Come), Paul Vecchiali (Un Soupçon d’Amour) e Christian Petzold (Undine) juntam-se, fora de competição, Mainstream, de Gia Coppola, Siberia, de Abel Ferrara, ou The Human Voice, de Pedro Almodóvar, entre outros dos filmes que mais se destacaram ao longo do ano nos festivais que, em tempos de pandemia, encontraram forma de se realizar.

Mas talvez sejam esses mais pontos de chegada do que de partida: essa dá-se na sexta-feira com duas projeções simultâneas (no Nimas, em Lisboa, às 18h30, e no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, às 19h30) de uma das obras fundadoras a que se torna pertinente regressar neste “momento particularmente insólito da história global”, neste “período de incertezas que veio desafiar tanto do que outrora tomávamos por garantido”: 2001 – Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, numa abertura para pensar (ou repensar) “o confronto com o desconhecido, abrindo portas a um futuro em construção”.

Com os horários reajustados, a programação mantém-se e deste Leffest não se poderá dizer (com exceção para os horários em que terão lugar algumas das sessões) que seja menos do que aquilo a que o festival de Paulo Branco nos habituou. Peter Handke, Frédéric Bonnaud, Cecilia Bengolea, Gabriel Abrantes e Neville Wakefield, os membros do júri desta edição, são apenas uma amostra dos convidados que em tempos de pandemia se deslocam a Lisboa e a Sintra para uma edição que, uma vez mais, não se faz apenas de filmes.

Referido Neville Wakefield, curador de arte e escritor britânico que marcará presença no festival, valerá a pena destacar ainda a sessão que apresenta de Destricted (2006), projeto que convidou sete artistas a expressarem as suas visões sobre sexo e pornografia através da realização de curtas-metragens e que são Larry Clark, Marina Abramovic, Richard Prince, Marco Brambilla, Matthew Barney, Sam Taylor-Wood e Gaspar Noé. Ou também, com a presença de Frédéric Bonnaud, atual diretor da Cinemateca Francesa, um conjunto de sessões programadas pelo próprio com a projeção de filmes que têm vindo a ser restaurados por aquela instituição, que está na origem do festival de filmes restaurados Toute la Mémoire du Monde. Entre elas, uma sessão dedicada a Jacques Rozier, com Paparazzi (1963), Le parti des choses (1963) e Adieu Philippine (1960), ou outra intitulada As Curtas da Aprendizagem de Jacques Rivette, com Aux quatre coins (1949), Le quadrille (1950) e Le divertissement (1952).

Para lá do cinema, há Noche de Ronda com Salvador Sobral num concerto de canções mexicanas entre as projeções de Os Esquecidos (1950), de Luis Buñuel, e E a Tua Mãe Também (2001), de Alfonso Cuarón. E ainda o simpósio As Artes e o Público no Mundo Pós-pandemia, com Bernard Marcade, Bruno Monsaingeon, Cecilia Bengolea, Frédéric Bonnaud, Marie-Laure Bernadac e Neville Wakefield, entre outros, para, como Kubrick, voltar a olhar para o futuro: “Entre a mudança e a continuidade, que mundo nos aguarda agora?”

 

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