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A fúria do vírus. Em 4 dias, o Hospital de Penafiel voltou a ficar cheio

A fúria do vírus. Em 4 dias, o Hospital de Penafiel voltou a ficar cheio

tamegasousa.pt Marta F. Reis 11/11/2020 08:20

Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa voltou a ter doentes internados na urgência por falta de vagas nas enfermarias. OE diz que “passou efeito” da visita da ministra da Saúde e pede maior resposta em rede, mas admite que não há hospital que resista ao nível de propagação da doença que se tem vivido na região.

O número elevado de casos de covid-19 no Norte do país está a pressionar cada vez mais a capacidade de resposta dos hospitais da região, e no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa (CHTS), no epicentro de um aumento explosivo de doentes infetados nas últimas semanas, não houve mesmo milagres e a acalmia do final da última semana, quando a ministra da Saúde se deslocou à unidade e assegurou o reforço de meios, deu lugar nos últimos dias a uma nova enchente de doentes. Depois de dezenas de altas no final da semana passada e de transferências de doentes para outros hospitais, ontem voltaram a ser de novo mais de 200 os doentes internados com covid-19 no centro hospitalar, uma ocupação que na semana passada chegou a baixar para a casa dos 160 internamentos, depois de um pico de 235 doentes distribuídos entre o Hospital de Penafiel e o Hospital de Amarante, os dois hospitais que pertencem ao centro hospitalar.

O Hospital Padre Américo, em Penafiel, continua assim a ser a unidade com mais casos de covid-19 a nível nacional e voltou a haver doentes a precisar de internamento sem vaga para subir para as enfermarias, permanecendo internados em macas na urgência, o cenário que na última semana motivou denúncias de enfermeiros sobre a situação de rutura que se vivia no hospital. O cenário, ontem, não se assemelhava ao caos vivido no início da semana passada, mas no espaço de 24 horas passou a haver 14 doentes internados na urgência do Hospital Padre Américo, numa área dedicada às doenças respiratórias onde ficam também os doentes enquanto aguardam os resultados de testes. A dar resposta nesta área, estejam ou não acima da capacidade, mantêm-se as mesmas equipas, quatro enfermeiros por turno. “Neste momento, o cenário não é caótico porque não temos o número de doentes internados na urgência que tivemos na semana passada, mas, infelizmente, os doentes que estão a recorrer ao hospital são pessoas que realmente precisam de nós. Chegam em condições mais degradadas e precisam de ficar internados”, relatou ao i um profissional de saúde do Hospital de Penafiel, pedindo anonimato. São situações de doentes que chegam ao hospital com suspeita de covid-19 e precisam logo de oxigénio, exemplifica, explicando que a perceção não é tanto de que as pessoas estejam a adiar a ida ao hospital mas que, nos casos mais graves, a doença tem uma evolução abrupta. “Realmente, na semana passada, muitos doentes foram transferidos e ficámos com vagas, o que escoou o grande volume de doentes que estavam na urgência. Decorrendo o fim de semana, com a afluência e necessidades dos doentes que foram chegando, as vagas foram sendo preenchidas e, agora, já não há vagas outra vez”, resume ao i o profissional. Se este era o ponto de situação ontem à tarde, e embora se note o efeito de se terem aberto novos pontos de testagem fora do hospital, nos últimos dias, com os doentes a continuar a chegar, não chegaram às equipas novas indicações de que seriam de novo transferidos doentes. “Sentimos que diminuiu o fluxo de pessoas que vinham só fazer a colheita mas, em compensação, acabamos por ter mais doentes a chegar que precisam de nós. E nós continuamos a ser os mesmos. Estejam dois doentes internados na urgência ou 40, os profissionais são os mesmos”.

“Enquanto não conseguirmos conter a propagação, não há hospital que resista” João Paulo Carvalho, presidente da secção regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, sublinha que o cenário é preocupante numa altura em que as equipas já estão esgotadas. 

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