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Luís Newton 05/11/2020
Luís Newton

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Governo de cigarras

A sua política de promessas não para as mortes causadas pela pandemia, e começa a ser evidente que Portugal só ultrapassará esta crise expulsando-o.

Esta semana ficámos todos conhecedores da iminência de um novo estado de emergência, que esperamos se diferencie do anterior ao poder ser ajustado apenas nos concelhos onde a pandemia está a ter um número exponencial de casos.

Sempre afirmei que o confinamento (responsável ou obrigatório) representava mais uma manifestação da evidência do fracasso na preparação do combate à propagação desta pandemia.

A Europa entrou primeiro no outono e Portugal não soube perceber que o tempo se esgotava e alguém tinha passado o verão todo a assobiar (para o lado), não se preparando adequadamente para uma eventual segunda vaga.

O segredo é conhecido desde muito cedo: testar, testar, testar.

Esta máxima que foi bandeira de muitos, em especial da OMS e da comunidade científica, foi olimpicamente ignorada pelo Governo português.

A testagem universal no mais curto espaço de tempo como, por exemplo, fez a Eslováquia, serve para determinar onde existem cadeias de transmissão, rastreando e contendo a sua propagação. Até porque é hoje particularmente evidente que esta explosão de casos em Portugal não teve origem estrangeira, mas sim nacional.

O Governo e a DGS foram irresponsáveis ao permitir que, por falta deste rastreamento, pessoas assintomáticas pudessem dar origem a novas cadeias de transmissão.

Foram igualmente irresponsáveis ao permitir confusão na comunicação dos cuidados a ter.

Que medidas básicas como a utilização universal da máscara, única barreira conhecida para desacelerar (mas que não trava completamente) a velocidade de propagação do vírus, não fosse imediatamente implementada.

De março a agosto, o Governo teve o apoio de todos os partidos com representação na Assembleia da República para preparar o outono. E o resultado está à vista.

Um Governo que só agora vem anunciar um novo regime excecional para contratação de enfermeiros para as unidades de cuidados intensivos (UCI).

Um Governo que só agora vem anunciar novas camas para as UCI e ainda tem o desplante de dizer que cerca de metade só estarão disponíveis no primeiro trimestre de 2021.

A sério?

Ficámos a saber que só vamos ter mais 100 camas num prazo de seis meses. Portanto, se tivessem arrancado logo em abril de 2020, hoje já estariam disponíveis.

Esta é mais uma prova de que passaram os últimos seis meses a assobiar para o lado em vez de prepararem o inverno.

Ainda assim, teremos uma última oportunidade que reside no aproveitamento do confinamento imposto pelo Governo para implementar um rápido e eficaz rastreamento das cadeias de transmissão.

Porque este confinamento só fará sentido se for acompanhado de um plano nacional de testagem, para ser realizado muito rapidamente e em massa, e assim conseguirmos identificar e conter todas as cadeias ativas.

Se o Governo não o fizer, será mais uma oportunidade desperdiçada, e este confinamento terá sido apenas mais uma inútil machadada na sociedade portuguesa, que provavelmente irá ficar privada, de novo, dos serviços de saúde.

O Partido Socialista lida com a pandemia como tem lidado com os portugueses ao longo destes anos, procurando mascarar a incompetência com anúncios de obras futuras (que nunca se concretizam).

O problema é que estas cigarras não compreenderam uma coisa fundamental: a sua política de promessas não para as mortes causadas pela pandemia, e começa a ser evidente que Portugal só ultrapassará esta crise expulsando este Governo de cigarras.

 

Presidente da concelhia do PSD/Lisboa e presidente da Junta de Freguesia da Estrela

 


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