24/1/21
 
 
Manel Cruz. "A classe musical acaba por se subestimar um bocado"

Manel Cruz. "A classe musical acaba por se subestimar um bocado"

Hugo Geada 04/11/2020 08:50

Ainda sob o signo de Vida Nova (2019), primeiro disco a solo de Manel Cruz, o vocalista dos Ornatos Violeta, que esteve em conversa com o i, vai estar hoje no palco do Teatro Maria Matos para um concerto ao vivo.

Apesar do cenário caótico que a pandemia gerada pela covid-19 está a provocar no mundo, o setor musical português continua a dar cartas. Desta vez, foi a agência de artistas Produtores Associados a mexer-se e a levar um ciclo de concertos para o Teatro Maria Matos, em Lisboa, com espetáculos dos artistas do seu catálogo que se irão prolongar desde hoje até ao dia 21 de dezembro. Para inaugurar esta iniciativa, Manel Cruz, inconfundível mestre de projetos como os Ornatos Violeta, Pluto, Foge Foge Bandido ou SuperNada e que no ano passado se estreou a solo com o disco Vida Nova, arregaça as mangas e sobe hoje ao palco, às 20h30, para brindar a audiência do Maria Matos com as suas belas canções. O músico do Porto atendeu a chamada telefónica do i e conversou com o jornal sobre diversos assuntos. Não se pode deixar escapar o contexto dos últimos meses e a forma como o setor musical teve de fazer a sua voz ser ouvida para sobreviver, mas também houve tempo para se falar um pouco sobre música e sobre o hipotético regresso dos icónicos Ornatos Violeta que, depois do regresso do ano passado, ainda deixaram o músico de ressaca.

Este novo espetáculo faz parte de um ciclo de concertos organizados pela agência de artistas Produtores Associados. Esta é uma boa maneira de manter a cultura viva e ativa numa altura complicada em que muitos concertos foram cancelados?

A única maneira de manter a cultura viva é manter os trabalhadores vivos. A cultura são as pessoas que trabalham e as que consomem, e sem elas não há cultura para ninguém.

É uma altura bastante sensível e complicada para organizar concertos, por causa da pandemia, nunca se sabe quando podemos ser infetados. Acha que fazer concertos agora é um risco que se justifica?

Não me compete avaliar os riscos. Temos de ter cuidados, mas também não é possível evitarmos o risco na vida. Temos de dimensionar e pesar os riscos. Não podemos é achar que os danos psicológicos e culturais não são danos efetivos. Não adianta nada estar vivo se a vida for uma merda. [risos]

Este ciclo de concertos é uma união entre músicos, programadores culturais e todos os trabalhadores envolvidos na indústria dos concertos. É importante haver agora esta união e entreajuda?

Mais que achar importante, é essencial. Apesar de ser a altura mais difícil, é a melhor altura para mudar o atual panorama porque estão, efetivamente, a acontecer mudanças. É a melhor altura para se desenvolverem várias esferas, que eu sinto que está a acontecer, e a minha esperança é que esses movimentos, com o passar do tempo, se vão unificar e vão ser interdependentes e cúmplices. É uma altura essencial para fazermos uma pressão política na nossa sociedade.

Leia o artigo completo na edição impressa do jornal i. Agora também pode receber o jornal em casa ou subscrever a nossa assinatura digital.

Ler Mais


Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×