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Mais de uma dezena de funcionários do SEF investigados no caso da morte de ucraniano no aeroporto de Lisboa

Mais de uma dezena de funcionários do SEF investigados no caso da morte de ucraniano no aeroporto de Lisboa

Jornal i 01/11/2020 15:35

Inspeção Geral da Administração interna aponta “postura generalizada de desinteresse pela condição humana”.

Um relatório da Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI), órgão que fiscaliza as polícias, admite que podem estar envolvidos mais doze inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, assim como seguranças e enfermeiros no caso da morte de Ihor Homenyuk, o ucraniano que foi espancado por três inspetores do SEF no aeroporto de Lisboa a 10 de março, e acabou por morrer. As informações são avançadas pelo Jornal Público.

Segundo a mesma fonte, os doze inspetores foram alvo de processos disciplinares por causa deste caso.

Segundo o relatório da IGAI de que fala o jornal, os seguranças e inspetores terão demonstrado “ausência de qualquer preocupação” pelo estado de saúde de Ihor e “até da satisfação das suas necessidades mais básicas”, resultando numa “postura generalizada de desinteresse pela condição humana”.

A IGAI põe em causa ainda o comportamento do enfermeiro: “Não podemos deixar de referir a censurabilidade do comportamento do enfermeiro que considerou razoável que o cidadão se mantivesse, pelo menos, sete horas, manietado, sabendo que a sua agitação poderia advir da falta de medicação e que a utilização da fita adesiva, para a contenção física do cidadão, seria inadmissível”.

O órgão sublinha ainda que aquilo que se passou leva à “conclusão inelutável” de que os três inspetores do SEF acusados foram mesmo “os autores das agressões. “O cuidado que tiveram de evitar o registo de entrada; os objectos que transportaram; os gritos proferidos pelo Ihor; as expressões que proferiram; a algemagem a que procederam contrariando todas as regras – deitado e algemado atrás das costas; a colocação de fitas brancas a imobilizar braços e pernas; o terem determinado aos vigilantes que não vissem o que ali se estava a passar; o tempo que permaneceram no interior da sala e o estado em que dali saíram” parecem ser provas suficientes para o IGAI.

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