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2020, minorias e o "sucesso" de Borat Subsequent Moviefilm

2020, minorias e o "sucesso" de Borat Subsequent Moviefilm

Cláudia Sobral 30/10/2020 21:16

Sequela de Borat que chegou à Amazon Prime na semana passada está a ser alvo de contestação. Associação cazaque americana pediu a retirada do mockumentary da plataforma.

Não terá havido neste século altura em que o fim do mundo nos tenha parecido tão próximo. Quando em 2006 Sasha Baron Cohen pela primeira vez se apresentou como repórter cazaque em Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, George W. Bush parecia ainda o pior Presidente que os Estados Unidos poderiam ter. Faltava uma década ainda para que fosse eleito Trump, 14 anos para que ao seu mandato se viesse sobrepor uma pandemia. Mundial. A esse mundo (ou o fim dele), que preciso não será explicar porque, a poder passar-lhe ao lado, passaríamos, regressa Borat Sagdiye numa sequela acabada de chegar à Amazon Prime. Entre as polémicas de que de resto se alimenta.

Primeiro, veio o Turismo do Cazaquistão apropriar-se do slogan para a sua nova campanha “Kazakhstan. Very Nice!”. Um slogan que, segundo Kairat Sadvakassov, um dos responsáveis pelo Turismo do Cazaquistão citado pelo Huffington Post, “oferece a descrição perfeita do vasto potencial turístico do Cazaquistão de uma forma breve e memorável”: “A natureza do Cazaquistão é muito bela; a comida é muito boa; e o seu povo, apesar das piadas do Borat, é um dos mais simpáticos do mundo. Queremos que toda a gente venha experienciar o Cazaquistão visitando-nos em 2021 e nos anos seguintes, para verem que a terra do Borat é melhor do que aquilo que possam ter ouvido”. Em 2021 talvez não seja, que o ano não há de começar melhor do que vai terminar este 2020. E, “very nice” slogans à parte, 2020 é um ano mais difícil para Borat do que era 2006.

Mal Borat Subsequent Moviefilm: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan, na versão longa do título deste mockumentary com argumento de Baron Cohen e realização de Jason Woliner, foi disponibilizado, foi tornada pública uma carta enviada pela Kazakh American Association à Amazon exigindo a retirada imediata do documentário da plataforma de streaming. Dirigida a três executivos seniores da empresa, a associação argumenta que Borat Subsequent Moviefilm pode “causar danos irreparáveis à imagem nacional do Cazaquistão e ao seu povo uma vez que a comédia pode justificar insultos com base étnica”. Diz ainda a associação na mesma carta que o filme “incita à violência contra uma minoria étnica altamente vulnerável e subrepresentada”.

A carta vem juntar-se a uma petição lançada do Avaaz que tinha tentado impedir a estreia da comédia satírica que acompanha o jornalista cazaque interpretado pelo ator e comediante britânico que se celebrizou em filmes como Borat e Brüno (2009). Petição essa que conta já com mais de 100 mil assinaturas.

A verdade é que em 2012, e menorizando também ele de lado as “piadas” que Sadvakassov não se esqueceu apesar de tudo de mencionar com um “apesar” quando falou ao Huffington Post, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão de então chegou a agradecer a projeção que acreditava que o filme em que pela primeira vez surgiu a personagem de Borat havia dado ao país. “Estou grato ao Borat por ajudar a atrair turistas para o Cazaquistão”. Da sua parte, sobre este novo Borat Subsequent Moviefilm o que a Amazon tem a dizer é que está a ser “um sucesso”. Segundo a plataforma de streaming, logo no dia de estreia terá sido visto por 1 milhão de pessoas.

 

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