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França. Atentados ensombram país em colisão com islamismo

França. Atentados ensombram país em colisão com islamismo

AFP Hugo Geada 30/10/2020 08:09

Governo francês afirma que país está “sob ataque terrorista”. Um atentado em Nice provocou três mortes. Uma das vítimas foi decapitada.

O clima de tensão entre França e o mundo muçulmano está ao rubro. Ontem, muitas pessoas começaram o dia em choque com as notícias de ataques ou tentativas de ataques terroristas em vários pontos do país.

Em Nice, junto à basílica de Notre-Dame, um homem matou três pessoas. Uma das vítimas terá sido decapitada, tal como acontecera a 16 de outubro em Paris ao professor Samuel Paty.

O presidente da Câmara de Nice, Christian Estrosi, revelou que o suspeito do homicídio terá gritado “Allahu Akbar” (Deus é Grande) durante o ataque e enquanto estava a ser detido pelas autoridades.

O suspeito foi transportado para o hospital depois de sofrer um ferimento de bala durante a detenção. Segundo uma fonte citada pela agência France-Presse, chama-se Brahim e tem 25 anos.

O ministro do Interior francês apelou a que as pessoas evitassem a zona onde ocorreu o ataque.

Cerca de duas horas depois, em Avignon, um homem munido com uma arma de fogo era baleado pela polícia, depois de ter tentado atacar os agentes e gritado “Allahu Akbar”.

A polícia interveio inicialmente com armas não letais, mas a persistência do atacante obrigou a abrir fogo.

Uma equipa antiterrorismo abriu uma investigação a ambos os casos e está a tentar perceber se existe ligação entre os ataques de Avignon e Nice.

Além destas cidades, foram ainda reportadas tentativas de ataque em Lyon (a polícia deteve um homem armado com uma faca de 30 centímetros prestes a entrar num elétrico) e em Paris.

Ataque além-fronteiras Também foi reportado um ataque à comunidade francesa internacional. Um homem na Arábia Saudita tentou atacar com uma faca um guarda no consulado francês neste país. O criminoso, entretanto, foi detido e a vítima, apesar de estar hospitalizada, não corre risco de vida.

“A embaixada de França condena firmemente este ataque contra uma representação diplomática, que nada pode justificar”, escreveu o organismo em comunicado. “Esta embaixada assegura plena assistência à vítima e exprime confiança nas autoridades sauditas para esclarecerem este ataque e garantirem a segurança da representação e da comunidade francesa no país”. Aconselhou ainda os “compatriotas na Arábia Saudita a estarem em alerta máximo”.

“Islamofascismo” O presidente da Câmara de Nice deixou os seus pêsames às famílias das vítimas e procurou deixar bem clara a sua posição contra estes extremistas, afirmando que está na altura “de a França se exonerar das leis pacíficas para erradicar definitivamente o islamofascismo do nosso território”.

“Primeiro foi um professor, agora a barbárie islamofascista decidiu atacar dentro de uma igreja. É tudo muito simbólico”, afirmou Estrosi.

O Presidente Emmanuel Macron esteve no local do crime em Nice e afirmou que o país está “sob ataque terrorista novamente”, anunciando que o Governo vai enviar entre três mil e sete mil soldados e intensificar o policiamento de forma a proteger locais mais sensíveis, nomeadamente escolas e templos religiosos.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, descreveu os ataques como “ignóbeis, bárbaros e abjetos”, e prometeu uma resposta “firme, implacável e imediata”.

Na Assembleia Nacional, Castex revelou que todo o país está sob alerta terrorista e que a segurança de edifícios, transportes e locais públicos vai ser elevada para o nível de “emergência atentado”.

O primeiro-ministro anunciou também uma reunião do Conselho de Defesa Nacional de França para sexta-feira, de forma a perceber como lidar com o agravamento destes conflitos.

O local do atentado em Nice fica a menos de meio quilómetro de onde, em 2016, durante as celebrações do Dia da Bastilha, um homem conduziu um camião contra uma multidão, provocando dezenas de mortes.

Turquia Condena Desde meados de setembro que a Turquia e a França têm estado em rota de colisão. Há poucos dias, Paris ordenou o regresso do seu embaixador em Ancara, em protesto por Erdogan ter sugerido que Macron precisava de “tratamento ao nível mental”, e, já esta semana, o Presidente turco chamou “canalhas” aos cartunistas do Charlie Hebdo que o caricaturaram. Mas nem este clima impediu a Turquia de condenar os ataques em França e manifestar a sua “solidariedade” para com o país. “Condenamos veementemente o ataque que foi cometido no interior da Igreja de Notre-Dame de Nice [...] e apresentamos as nossas condolências aos familiares das vítimas”, indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco num comunicado. “É claro que os que cometeram um ataque tão selvagem num local de culto sagrado não podem inspirar-se em qualquer valor religioso, humano ou moral”.

O Conselho Francês da Fé Muçulmana também repudiou os ataques e apelou à comunidade muçulmana para cancelar as celebrações da Mawlid (celebração islâmica realizada para recordar o nascimento do profeta Maomé), entre os dias 28 e 29 de outubro, como “um sinal de solidariedade e luto pelas vítimas”.

O rastilho deste mais recente conflito acendeu-se com a decapitação do professor Samuel Paty, que incorreu na fúria dos extremistas por ter mostrado aos seus alunos caricaturas de Maomé.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que iria lutar contra o que apelidou de “separatismo islâmico”. Em resposta, o homólogo turco apelou ao boicote de produtos franceses, o que levou a que alguns destes produtos fossem retirados de supermercados em países como o Catar ou o Kuwait.

O Governo francês tem levado a cabo ações contra grupos extremistas islamistas. Dias depois do assassínio de Paty foi encerrada uma mesquita nos arredores de Paris por ter transmitido um vídeo a denunciar o professor.

Já esta quarta-feira foi anunciada a proibição da organização BarakaCity, cujo líder, Driss Yemmou, é suspeito de assédio online a uma jornalista do Charlie Hebdo. O Executivo acusou a organização de ter ligações “ao movimento islamista radical”, de “incitamento ao ódio” e de “justificar atos terroristas”.

 

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