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Mário Bacelar Begonha 29/10/2020
Mário Bacelar Begonha

opiniao@newsplex.pt

De professores a “P.T.s.”

Foi em 1940, que, no Colégio Valsassina aprendemos com o professor Artur dos Santos, que o lado oposto à direita era a esquerda...

Desde os 4 anos de idade que aprendemos a respeitar os professores, ditos de ‘ginástica’, mestres ou professores de Educação Física do primeiro curso superior de Educação Física da Sociedade de Geografia, de Lisboa, em 1936. Nesse tempo eram pedagogos, eram educadores e eram, na sua grande maioria, homens de bem, oficiais do exército, médicos e professores de Educação Física. Salazar só em 1940 é que autorizou o primeiro curso superior de Educação Física do Estado.

Eram, como foi dito, essencialmente, educadores, disciplinadores, mestres, no bom sentido do termo.

Foi em 1940, que, no Colégio Valsassina aprendemos com o professor Artur dos Santos, de que lado era a direita, ou seja, era do lado aonde passavam os elétricos no sentido descendente, numa rua paralela à António Augusto de Aguiar, no Bairro Azul. Foi assim quase aos 4 anos de idade ‘percebemos’ que o lado oposto à direita era a esquerda... Foi o primeiro conceito de política numa idade que quase chegava aos 4 anos. Possivelmente nem Catarina Martins teve tal iniciação política, tão cedo.

Mas com a evolução da sociedade, alguma coisa mudou no ensino da Educação Física escolar, pois tratava da postura corporal, das posições corretas, de modo a evitar doenças posturais da coluna vertebral, e não só, mas também dava os primeiros passos na educação e desenvolvimento dos ‘reflexos’, ou seja, das respostas a estímulos externos, como por exemplo, o comportamento reflexo, o comportamento voluntário e o automático, com o ‘revolucionário’ ensinamento do estereótipo motor-dinâmico, ou seja, um gesto automático, perfeito, 100% eficaz, gastando a menor energia possível, e, às vezes, na coordenação fina utilizando só dois músculos.

Mais tarde aparece a noção do recrutamento nervoso, e ainda a ‘doutrina’ dos comportamentos em situação, uma pedagogia muito cara aos cinesiologistas, que são os especialistas do movimento, aqueles que estudam o movimento, combinam a anatomia, a ciência da estrutura do corpo, com a fisiologia, a ciência da função do corpo, para produzir a cinesiologia, a ciência dos movimentos do corpo.

Passados todos estes anos aconteceu uma involução extraordinária nesta área, a nosso ver, por culpa do Ministério da Educação com dirigentes, nesta área, cada vez mais mal preparados e com pouca postura para problemas e questões educativas e mais voltados para a política e para os ‘negócios’ com a tutela do futebol profissional, uma Indústria que, segundo o Ministério Público, é das áreas mais corruptas da nossa sociedade. Assim, hoje, temos reservas à cerca do conhecimento científico de alguns desses profissionais que até, em certos casos, poderão colocar em risco a saúde das pessoas que utilizam esses espaços cheios de máquinas de ferro...

É que não sabemos quem controla a saúde dos utentes desses espaços e quem passa o certificado académico a esses profissionais, que deixaram de ser professores para passarem a ser tratados por ‘P.T.s’. Não será necessário que todos os professores de Motricidade Humana tenham sido bolseiros do ‘I.N.I.C.’, vários anos, como Investigadores, mas é necessário que dominem o estudo do corpo humano na interação das suas estruturas percetivo-cinética, orgânica e morfológica, de modo a terem uma noção da homeostasia funcional-orgânica, do ser humano, em determinado momento, depois de uma correta avaliação.

Será que a secretaria de Estado do Desporto, tem preparação para perceber isto?!? Talvez mais um assessor governamental, pro bono, resolva o problema...

 

Sociólogo

Escreve quinzenalmente

 


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