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Turquia. Erdogan condena "canalhas" da revista Charlie Hebdo

Turquia. Erdogan condena "canalhas" da revista Charlie Hebdo

AFP Hugo Geada 29/10/2020 08:22

O Presidente da Turquia não achou piada à caricatura que a Charlie Hebdo fez da sua pessoa e acusou a revista de fazer um “ataque ignóbil”.

A tensão entre Turquia e França continua a crescer depois de o Governo de Ancara ter afirmado que irá tomar medidas “judiciais e diplomáticas” contra a revista satírica francesa Charlie Hebdo, após esta ter publicado uma caricatura do Presidente Recep Tayyip Erdogan.

No desenho em causa, divulgado na terça-feira à noite nas redes sociais, intitulado “Erdogan – Em privado, ele é muito divertido”, é possível observar o Presidente turco sentado num sofá, de T-shirt, roupa interior e bebida de lata na mão, enquanto levanta a saia de uma mulher com véu que não usa roupa interior, que exclama: “Ai! O profeta!”.

O Governo turco não achou graça nenhuma a esta publicação e, em comunicado, o gabinete de comunicação da Presidência afirmou que “serão tomadas medidas contra a referida caricatura” e aberto um inquérito contra os responsáveis da Charlie Hebdo.

“Condenamos o esforço absolutamente desprezível desta publicação para espalhar o seu racismo cultural e ódio”, escreveu no Twitter o principal assessor de imprensa do chefe de Estado turco, Fahrettin Altun.

O próprio Erdogan exteriorizou a sua frustração e acusou o jornal satírico de ter cometido um “ataque ignóbil” de “canalhas”.

Por sua vez, o porta-voz do Governo francês, Gabriel Attal, fez questão de recordar que “foram declarações de ódio contra jornalistas que deram origem a atentados, dramas e massacres” ocorridos em França nos últimos anos, referindo-se nomeadamente aos “canalhas” da Charlie Hebdo, revista que foi alvo de um ataque de terroristas islamistas em 2015 que provocou 12 mortos.

Boicote à França Como resposta a estas provocações, na segunda-feira, o Presidente turco apelou ao boicote de produtos franceses. “Peço ao meu povo que não confiem em produtos com uma etiqueta francesa, não os comprem”, disse num discurso transmitido na televisão turca.

As suas palavras passaram a ações e surgiu um movimento nas redes sociais que já levou à retirada de certos produtos franceses de supermercados em países como o Catar ou o Kuwait.

A Comissão Europeia condenou o apelo de Erdogan e afirmou que esta ação apenas coloca o país mais longe da União Europeia. “O apelo a boicotes de produtos de qualquer Estado-membro é contrário ao espírito das obrigações [da Turquia] e afasta cada vez mais a Turquia da UE”, referiu o porta-voz da Comissão Europeia com a pasta da gestão de crises, Balazs Ujvari, acrescentando que “as obrigações bilaterais com que a Turquia se comprometeu [...] devem ser respeitadas”.

Tensões diplomáticas O choque entre estes países teve início depois do assassínio do professor Samuel Paty, decapitado por um extremista islamista após ter mostrado cartoons do profeta Maomé durante uma aula.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que iria lutar contra o que apelidou de “separatismo islâmico”, o que não foi bem recebido pelo homólogo turco.

Apesar das “medidas” tomadas pelo Governo de Ancara, França afirma que “nunca renunciará aos seus princípios e valores”, apesar de “tentativas de desestabilização e intimidação”, afirmou Gabriel Attal, porta-voz do Executivo gaulês.

O Governo francês tem levado a cabo ações contra grupos extremistas islamistas. A mais recente, oficializada ontem, foi a proibição da organização BarakaCity, cujo líder, Driss Yemmou, é suspeito de assédio online a uma jornalista do Charlie Hebdo.

O Executivo acusou a organização de ter ligações “ao movimento islamista radical”, de “incitamento ao ódio” e de “justificar atos terroristas”.

 

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