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75% dos doentes que testam positivo têm sintomas

75% dos doentes que testam positivo têm sintomas

AFP Marta F. Reis 27/10/2020 11:19

Maioria não são assintomáticos, como aconteceu no verão. Internamentos estão a disparar. Ministra da Saúde alerta para situação grave.

A maioria dos novos casos de covid-19 que têm vindo a ser confirmados no país são pessoas que foram testadas e efetivamente têm sintomas da infeção. O ponto de situação sobre a percentagem de sintomáticos e assintomáticos foi feito esta segunda-feira ao i pela Direção Geral da Saúde. A autoridade de saúde adianta que, no último mês e meio, “os casos sintomáticos têm variado entre os 70 e os 75%, um valor superior a julho, em que quase metade dos novos casos identificados eram sintomáticos”. De 5 a 18 de outubro, por exemplo, 75% dos novos casos eram sintomáticos, enquanto os outros 25% eram assintomáticos ou com informação desconhecida.

A questão sobre se os casos que estão a ser detetados são maioritariamente positivos em pessoas assintomáticas tem vindo a ser suscitada publicamente, bem como o aumento da taxa de positividade dos testes, um indicador que ajude a perceber se a infeção está mais ou menos disseminada no país – como parece ser o caso. Questionada pelo i, a DGS começa por esclarecer que os resultados positivos de pessoas que se testaram pela primeira vez (novos casos) já são bastante superiores aos positivos obtidos nos chamados testes de seguimento/cura, dispensados na maioria dos doentes numa recente alteração das normas da DGS que mudou os critérios para ter alta clínica. Em maio, do total de testes com resultado positivo feitos no país, 40% eram de novos doentes e no último mês rondou 60% a 70%. “Na última semana, registou-se o maior valor de primeiros testes positivos sobre o total de testes positivos obtidos, que correspondeu a 74%, ou seja, 13.247 testes positivos foram realizados pela primeira vez a uma pessoa e 4.353 testes foram testes de seguimento até à cura”, indica ao i a DGS. Considerando a taxa de positividade apenas nos primeiros testes positivos, sobe de 2% para 8% desde o início de setembro.

Ontem a Direção Geral da Saúde apresentou a nova estratégia de testagem no país, que passará a partir de 9 de novembro a incluir testes rápidos, por exemplo em surtos em escolas e lares, e define pela primeira vez grupos prioritários em caso de escassez de testes. Por outro lado, recomenda rastreios regulares aos profissionais de saúde mais expostos. A DGS assegurou ao i que atualmente “não existe nenhuma limitação no número de testes disponíveis no país”, adiantando que a capacidade máxima diária se situa nos 43.200 testes, dos quais 15 mil no SNS (em julho rondava os 10 mil). Mantém-se a meta de expandir a capacidade de testagem nas unidades do SNS, chegando aos 22 mil testes/dia ate final do ano.

Internamentos a disparar levam Marta Temido a fazer alerta Além dos resultados da testagem, o rápido agravamento da situação epidemiológica no país está patente noutros indicadores. Depois de na semana passada Portugal ter passado o patamar de 240 novos casos a 14 dias por 100 mil habitantes, o patamar de risco mais elevado definido pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, o país passou este domingo a barreira dos 300 casos por 100 mil habitantes nesta janela temporal de 14 dias, uma situação onde no início do mês se encontrava apenas Espanha. Ontem, República Checa (1323.8) e Bélgica (1301.2) registam as incidências mais elevadas.

Há uma semana, Portugal estava abaixo dos 200 casos por 100 mil habitantes. Na última semana, registaram-se 19 273 novos casos de covid-19 no país, um novo recorde semanal que supera o total de casos confirmados no mês de setembro (18 153). Os internamentos dispararam: ontem havia mais 498 doentes internados face há uma semana, quando na anterior a subida tinha sido de 297 doentes. O aumento dá-se em enfermaria e em cuidados intensivos, onde os doentes internados com quadros mais graves subiram 45% numa semana, contra um aumento de 28% na anterior.

Já depois da conferência da DGS, a ministra da Saúde convocou a imprensa e admitiu que na quarta-feira deve ser ultrapassado o máximo de doentes em UCI registado em abril (271). O i já tinha noticiado na semana passada que, mantendo-se o agravamento, esse patamar deveria ser alcançado esta semana. A ministra da Saúde revelou projeções que indicam que, a 4 de novembro, se esperam 2654 doentes covid internados e 444 em UCI – os hospitais do SNS têm 1021 camas de cuidados intensivos, mas uma subida desta ordem, não sendo o pico de doentes, terá impacto na restante atividade. Marta Temido alertou que a situação é grave e que é preciso preservar a capacidade de resposta do SNS, apelando aos comportamentos que podem diminuir contágios.

O Norte continua a ser o epicentro de novos casos: na última semana foram 11 496, o dobro da região de Lisboa. A incidência passou mesmo o patamar dos 500 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias. Até ao momento o Governo apertou medidas só nos concelhos de Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira, mas o crescimento verifica-se de forma generalizada na região. 

 

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