30/11/20
 
 
António Galamba 26/10/2020
António Galamba

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Luís Filipe Vieira, pelo futuro

O Benfica é hoje mais Benfica do que era há uns anos. Tem mais vitórias do que costumava ter, mais modalidades, maior diversidade de género, mais património, maior valorização da memória e mais sementes de futuro.

O Sport Lisboa e Benfica vai a eleições na quarta, depois de uma campanha eleitoral em que os incumbentes ultrapassaram várias linhas vermelhas da preservação da imagem do clube, do tom para tentar fazer valer as suas posições e dos fins que parecem justificar todos os meios. A indução de bota-abaixo, de populismo de circunstância e de impreparação para a liderança do clube, amplificada pela realidade virtual das redes digitais, só não foi maior porque a equipa de futebol não ajudou. Ganhou os jogos e com sinais positivos em relação a anos anteriores, em termos de nota artística. Teria sido a cereja no topo do bolo da utilização de todos os argumentos dos adversários do clube, de alguma imprensa e de outras tantas elites para fustigar Vieira e o clube.

A campanha eleitoral em que muitos sublinham o passado de resgate, posicionamento e liderança patrimonial, desportiva e financeira do clube para apoiar a recandidatura do atual presidente, evidência que Luís Filipe Vieira deve ganhar pelo futuro.

Há um argumento de circunstância, da atual crise pandémica e dos seus impactos, em que importará ter na liderança do clube equipas com experiência e conhecimento das dinâmicas existentes e dos pilares de suporte de um projeto desportivo e empresarial. Nenhuma das outras candidaturas tem o músculo e a maturidade para enfrentar o atual cenário e o pós-pandemia. A mudança como a manutenção não são fins em si mesmos. São impulsos orientados para a concretização num determinado contexto. Não é um fala-barato caro ou um bota-abaixo empedernido, em registo mono, que vão orientar-se para uma realidade estéreo que conjuga a existência de vários mundos. Quem não fez ou quis deixar de fazer não o fará na exigência da atual conjuntura.

Há um argumento estrutural. O Benfica é hoje mais Benfica do que era há uns anos. Tem mais vitórias do que costumava ter, mais modalidades, maior diversidade de género, mais património, maior valorização da memória e mais sementes de futuro. O mandato que termina resgatou a propriedade do Estado e da BTV para o acervo do clube e consolidou o caminho de posicionamento de liderança dos processos desportivos em Portugal. Podemos não ganhar sempre, mas há condições para o sucesso como nunca. Ao invés de algumas narrativas, não há milagres, o caminho é mesmo o do trabalho sustentado, por tentativa e erro ou acerto – algo que outros nunca estiveram dispostos a fazer, com humildade, ou fizeram-no na fast-food, com mão-de-obra mal paga. O Benfica não pode ser um palco para egos, elites ou gente à procura daquilo que não tem na vida, com recurso ao “vale-tudo” e aos protagonistas de desqualificados “vale-tudo”, como aconteceu com a partilha nas redes sociais de uma reprodução de uma imagem de Hitler com a cara do atual presidente por alguém da candidatura de Noronha Lopes. O Sport Lisboa e Benfica é demasiado importante para os sócios, os adeptos e a sociedade portuguesa para se poder sujeitar a uma nova deriva Vale e Azevedo ou similar. Só Luís Filipe Vieira, Rui Costa e a restante equipa estão em condições de prosseguir o essencial do caminho percorrido, consolidar o posicionamento alcançado, corrigir os erros e continuar a lançar as sementes de um futuro sustentável e ganhador.

Há um argumento de diversidade e coesão. O universo do SLB é diversificado, nunca poderá ser das elites que, para terem sintonia com o povo, se reúnem ao balcão de uma rulote das bifanas com uma mini na mão, em condescendência alcoólica, ou dos que fazem da exclusão e do bota-abaixo uma forma de estar na vida. Só Luís Filipe Vieira garante a preservação da diversidade com o foco no clube, no trabalho e na obtenção dos resultados – aliás, como se constata pelas equipas que apresenta ao sufrágio dos sócios.

O Benfica é alvo de muitas invejas, da arbitrariedade, de distorções do funcionamento de sistemas da sociedade portuguesa e da ganância mediática de quem sabe que uma notícia do clube é um leitor, um ouvinte ou um telespetador a mais. Não pode estar capturado nem capturar, tem de afirmar de forma sustentada os seus interesses num país como Portugal, com noção de um contexto desportivo, económico, social e cultural que é o que é – conjugando a memória com o futuro, os negócios com a identidade, a diversidade com o foco, tradição e inovação, paixão com profissionalismo, mas sempre com noção de que existem linhas vermelhas de ação e de interação, internas e externas.

O Benfica é um clube democrático e transparente. Viu devassada e truncada uma década de comunicações internas, viu divulgados contratos com jogadores depositados na Federação Portuguesa de Futebol com impactos na gestão do plantel, tem os média a socorrerem-se do clube para aumentar as vendas, tem assembleias-gerais escrutinadas como nenhum outro, em que há quem confunda liberdade de expressão com insulto, como se se tratasse de uma rede social qualquer ou de uma mesa de café, e até tem um pseudo-arauto de mais democracia que, em véspera das eleições e em desespero da falta de onda de mudança, em estado de baixa-mar, procura anular as outras duas candidaturas concorrentes contra Luís Filipe Vieira.

O Benfica é um porta-aviões em que alguns enunciam propostas de gestão de um barco a remos, sem noção da realidade, do que deve ser o posicionamento e do que são as disponibilidades, apesar do caminho de resgate, posicionamento e liderança construídos. Terá sempre de melhorar em muita coisa, mas a partir da consolidação do que foi construído, nunca a partir da sua implosão, para modelos que já tivemos no passado e que outros têm no presente. Quarta-feira, como em qualquer instituição democrática, os sócios dirão de sua justiça.

Por mim, será Luís Filipe Vieira, pelo futuro.

 

NOTAS FINAIS

VOO DA ÁGUIA. Lá de cima olha-se e não se acredita no que se vê. O contágio por covid-19 alastra, o novo normal é a incapacidade de antever, de estabelecer normas inteligíveis e de haver critérios uniformes, em vez do arbítrio. Sim aos ajuntamentos na Fórmula 1, não a tanta coisa. Era preciso senso e critério, algo incompatível com a navegação à vista. O tal porta-aviões conduzido como barco a remos.

SEJA ONDE FOR. O país que se sobressalta com os escândalos também consegue fazê-lo por boas razões. Quase não tivemos ciclismo de competição nas nossas estradas, mas vibrámos com as prestações fabulosas do João Almeida e do Rúben Guerreiro no Giro de Itália. Com trabalho e perseverança, é possível surpreender.

 

Escreve à segunda-feira

 


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