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Bom dia, Radar: o combate à solidão na terceira idade

Bom dia, Radar: o combate à solidão na terceira idade

Bruno Gonçalves Joana Faustino 26/10/2020 09:11

Portugal está no top-3 de países mais envelhecidos do mundo. Devido à pandemia, os lares e os centros de dia fecharam, deixando os nossos idosos cada vez mais sozinhos. Quem olha pelos mais velhos? Quem os ajuda a combater a solidão e lhes dá uma palavra amiga? A resposta é dada pela comunidade.

Laurinda Barata Duque e Aurora Coelho, que prefere que a tratem por Lolita, vivem sozinhas. São ambas viúvas e, enquanto a primeira tem 86 anos, a segunda tem 81. Como, devido à pandemia, os centros de dia estão fechados, as suas rotinas têm sido cada vez mais monótonas. Para quebrar essa falta de ritmo, a Junta de Freguesia do Areeiro convidou-as para irem “tomar um chá e conversar um bocadinho”. Durante a conversa é possível sentir o peso da idade e da solidão, e isso reflete a realidade a que cada vez mais idosos estão sujeitos.

No município de Lisboa são vários os projetos que pretendem quebrar esta realidade. O Radar e o Olá, Bom Dia são dois deles. No Radar é feito um levantamento das pessoas com mais de 65 anos que vivem em Lisboa sozinhas ou acompanhadas por alguém da mesma faixa etária. Essas pessoas são depois acompanhadas por radares comunitários, como cafés e farmácias, por exemplo, situados perto do local onde os idosos residem. O Olá, Bom Dia é um projeto mais personalizado. Todas as manhãs, a dona Cremilde telefona aos idosos referenciados pela Junta de Freguesia do Areeiro para que eles possam conversar por alguns minutos.

 

Projeto radar

O projeto Radar existe em Lisboa desde 2018. A ideia surgiu de um programa homónimo que existia já na cidade de Barcelona. É um programa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) que pretende identificar pessoas com mais de 65 anos que vivam em situação de isolamento ou apenas com outras da mesma faixa etária. O projeto desenvolve-se em larga escala, principalmente através da sua abrangente rede de parceiros. Entre eles estão a Gebalis, empresa que gere o parque habitacional municipal de Lisboa, a Câmara Municipal de Lisboa, juntas de freguesia e a Polícia de Segurança Pública (PSP). Hugo Gaspar afirma que a PSP é um “parceiro importantíssimo” porque a data de início do projeto “coincidiu com uma altura em que a polícia andava a dizer ‘não abram a porta a ninguém’ e muitos seniores levaram isto à letra”. Quando acompanha as equipas de rua, a PSP permite que haja um “desbloqueio” por parte dos idosos e que estes se sintam mais à vontade.

 

Como é feito esse apoio?

Este projeto funciona através dos mais de 2300 radares comunitários que existem no município de Lisboa. Farmácias, mercearias e comércio local, associações e coletividades, por exemplo, podem ter essa função. O único requisito necessário é “a vontade”, afirma Hugo Gaspar, um dos coordenadores da iniciativa. A função dos radares comunitários é o acompanhamento contínuo feito no seio da comunidade. Para alguns idosos, o processo de contar as suas vulnerabilidades torna-se mais fácil quando um recetor é “uma cara amiga”. Muitos deles nem se apercebem que têm alguém a olhar por eles e que nota a sua falta “quando não vão ao café ou à farmácia”.

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