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Eleições. Debate com microfones silenciados para controlar o "caos"

Eleições. Debate com microfones silenciados para controlar o "caos"

Hugo Geada 21/10/2020 09:36

Último debate entre Trump e Biden vai ter novas regras para controlar as interrupções desnecessárias.

Depois do controverso primeiro debate entre Donald Trump e Joe Biden, que disputam a Presidência dos Estados Unidos da América, no próximo “duelo de palavras” entre os dois candidatos, agendado para quinta-feira (madrugada de sexta em Portugal continental), os microfones estarão silenciados para se evitarem interrupções desnecessárias.

Esta medida foi anunciada pela Comissão de Debates Presidenciais dos Estados Unidos de forma a tornar o debate menos “caótico”. Apesar de a instituição reconhecer que nenhum dos candidatos pode estar totalmente satisfeito com a decisão, é a mais vantajosa para o povo americano.

“Apercebemo-nos, depois de discutir com as duas campanhas, que nenhuma está totalmente satisfeita com as medidas anunciadas”, podia ler-se num comunicado lançado pela comissão. “De um lado podem achar que fomos demasiado longe e o outro pode achar que não fomos suficientemente longe. Nós estamos confiantes que estas ações podem trazer o equilíbrio correto e que são do melhor interesse do povo americano, para quem estes debates são organizados”.

 

Novas regras

O último debate entre os dois candidatos terá uma duração de 90 minutos e está dividido em seis tópicos, que vão desde a gestão da pandemia gerada pela covid-19 a questões sobre a família americana, raça na América, alterações climáticas, segurança nacional e liderança, enumera o New York Times.

“De acordo com as regras acordadas sobre o debate, cada candidato tem dois minutos sem interrupções para apresentar os seus argumentos no início de cada bloco de 15 minutos. Seguir-se-á um período de discussão livre”, período em que ambos os microfones estarão ligados para os dois concorrentes debaterem, anunciou a comissão.

Donald Trump mostrou o seu desagrado perante esta decisão, acusando a comissão, que apelidou de “Comissão de Debate do Biden”, de ser “bastante injusta”. “O Presidente Trump compromete-se a debater com Joe Biden independentemente das mudanças de última hora da comissão tendenciosa, naquela que é mais uma tentativa para oferecer vantagens ao seu candidato favorito”, acusou o gestor da campanha, Bill Stepien.

Os tópicos a debater foram escolhidos pela moderadora do debate, a jornalista da NBC News Kristen Welker. Segundo Stepien, o foco do debate seria política externa, algo que ambas as campanhas tinham aprovado.

O Presidente dos EUA, dirigindo-se a jornalistas, partilhou o seu desagrado com a decisão. “Vou participar, mas é bastante injusto que tenham alterado os tópicos e é bastante injusto, mais uma vez, que tenhamos um moderador completamente parcial”, acusou Trump, embora a comissão seja um órgão completamente imparcial.

O Guardian recordou que o Presidente “atacou” a jornalista num comício recente. “Ela sempre foi terrível e injusta, como a maioria dos repórteres das fake news, mas mesmo assim vou a jogo”.

Uma fonte da comissão disse à CNN que esta nova medida, aprovada unanimemente por todos os seus membros, “não é uma mudança nas regras, mas sim uma forma de promover o respeito pelas regras que foram aceites por ambas as campanhas.

“Uma mudança nas regras exigiria negociações demoradas e, em nossa opinião, impraticáveis entre as duas campanhas”, acrescentou a fonte.

Um porta-voz de Joe Biden, T. J. Ducklo, afirmou que a razão para todo este alarido por parte da campanha de Donald Trump se deve ao facto de o Presidente “ter medo de responder a perguntas ligadas à desastrosa resposta à covid-19”. “As campanhas e as comissões aceitaram há meses que o moderador do debate poderia escolher os tópicos”, escreveu Ducklo em comunicado.

“Como habitual, o Presidente está mais preocupado com as regras do debate do que em oferecer a ajuda necessária a uma nação em crise”, concluiu o porta-voz.

As últimas sondagens sobre a eleições presidenciais mostram que o democrata Joe Biden está à frente do republicano Trump, que recusou participar num debate online depois de ter contraído covid e estar, supostamente, em período de isolamento. Por isso, ambos os candidatos organizaram entrevistas em simultâneo em canais televisivos diferentes e, segundo as sondagens, Trump saiu a perder.

 

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