25/11/20
 
 
Afonso de Melo 20/10/2020
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

Uma pequena dor quase vegetal

São dez e meia da noite e a Rua do Norte está vazia e, com ela, o resto do Bairro Alto e, em sequência, o Largo Camões, a Rua do Alecrim e a Rua das Flores, que já prometera tragédias bem mais suaves do que estas pela pena do divino Eça. Onde se enfiaram as pessoas?

“A Morte é uma fuga definitiva a todas as chatices”, escreveu um dia Alexandre O’Neill, um fulano que quis ter como epitáfio “Aqui jaz Alexandre O’Neill, um homem que dormiu muito pouco. Bem merecia isto!” Agora que dorme, não se apepina. Fugiu definitivamente a todas as chatices que cada vez mais me convenço se concentram em Lisboa, talvez por motivo de uma maldição qualquer que tombou sobre as sete colinas, estuário do Tejo e tudo e tudo, e estou certo que acabará mesmo por apagar a luz desta cidade translúcida que, se não tivermos cuidado, nos pode cegar assim de repente, à primeira vista.

Venho e vou com pressa de chegar e de sair, cada vez mais agoniado pela forma como todos se atascam na rotina chiadesca, para já ainda só vermelha de cartazes da CGTP, não tarda vermelha de luzes pirosas e enfeites fatelas que nos custam os olhos da cara mas parecem alegrar sobremaneira os pobres tontos que nos governam. São dez e meia da noite e a Rua do Norte está vazia e, com ela, o resto do Bairro Alto e, em sequência, o Largo Camões, a Rua do Alecrim e a Rua das Flores, que já prometera tragédias bem mais suaves do que estas pela pena do divino Eça. Onde se enfiaram as pessoas?

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