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Europa bate de frente com a segunda vaga da covid-19

Europa bate de frente com a segunda vaga da covid-19

João Campos Rodrigues 16/10/2020 11:46

Países como a Alemanha, República Checa ou Itália a bateram recordes. Estão mais próximos do segundo confinamento do que seria de esperar.

Cada vez mais países europeus enfrentam uma segunda vaga da pandemia, decididos a enfrentá-las com restrições locais, sem uma confinamento à escala nacional. Alemanha, República Checa, Itália e Polónia bateram recordes de novos casos, esta quinta-feira, numa semana em que a Europa teve o maior número de novas infeções, segunda a Organização Mundial de Saúde (OMS). Sem medidas eficientes, o número de novos mortos pode rapidamente ultrapassar os números do pico europeu, em abril, avisou a organização.

“Os novos casos estão a subir, as admissões hospitalares estão a subir, a covid-19 agora é a quinta maior causa de morte”, enumerou o responsável europeu da OMS, Hans Kluge, em conferência de imprensa. “O uso sistemático e generalizado de máscaras, a uma taxa de 95% em vez dos 60% atuais, junto com controlos estritos quanto a encontros sociais em espaços públicos ou privados, poderia salvar até 281 mil vidas até fevereiro”.

“É tempo de dar o próximo passo”, continuou Kluge. “A mensagem para os governos é: não se contenham em ações relativamente pequenas para evitar as dolorosas e danosas ações que vimos na primeira ronda” de confinamentos. Cada vez mais governos europeus seguem esse conselho à risca.

A Alemanha, o país mais populoso da União Europeia, registou mais de 6,6 mil novas infeções em 24 horas, na quinta-feira – o anterior recorde fora menos de 6,3 mil, em março. Nesse dia, a chanceler Angela Merkel e os governos regionais tornaram obrigatório o uso de máscara em locais públicos, nas regiões mais afetadas, como Berlim, Colónia, Frankfurt, Estugarda e Munique, além de obrigarem ao fecho dos bares mais cedo.

São medidas com relativamente poucos impactos económicos, quando comparado com os confinamentos que vivemos no início do ano. Ainda assim, “se isto é suficiente ainda é uma pergunta aberta, na minha opinião”, avisou o governador da Bavária, Markus Soeder, que chegou a ser falado como potencial sucessor de Merkel, citado pela AP. “Estamos muito mais próximos de um segundo confinamento do que queremos acreditar”.

 

Catástrofe à vista

Até a República Checa, em tempos um dos modelos de boa gestão da pandemia, que esteve entre os primeiros países a fechar no início do ano e foi dos primeiros a abrir, enfrenta dificuldades. Já começaram a construir hospitais de campanha para lidar com a enchente de novos caos diárias, que praticamente nunca passaram dos 500 até setembro – esta quarta-feira quase bateram nas 10 mil novas infeções.

“Não temos tempo. As perspetivas não são boas. Estes números são catastróficos”, disse o primeiro-ministro Andrej Babis, a caminho de Bruxelas para uma reunião do Conselho Europeu, citado pela Czech News Agency. Desde quarta-feira que já foram fechados restaurantes, bares e até as escolas checas.

Em Itália, que bateu recordes na quinta-feira, com quase 9 mil casos registados, cientistas já apelam ao confinamento, por alturas do natal. “À medida que os casos aumentam, a capacidade de rastreio de contactos e de testagem diminuí”, lembrou Andrea Crisanti, virologista da Universidade de Pádua, ao canal italiano Rai News 24. “Entras num círculo vicioso que faz aumentar a transmissão do vírus”.

Para muitos cientistas, a resposta talvez seja o chamado circuit breaker, ou disjuntor. A proposta partiu de cientistas britânicos, que pedem um confinamento apertado, preventivo, durante duas ou três semanas, para quebrar a trajetória da pandemia. “Poderia reiniciar o sistema, baixar a transmissão do vírus e facilitar o rastreio de contactos”, explicou Crisanti.

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