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Vítor Rainho 16/10/2020
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

A vitória dos bufos

Quase 50 anos depois, eis que voltávamos ao tempo da bufaria. Alguém dá uma festa em casa para meia dúzia de pessoas e logo um vizinho trata de chamar os inefáveis zeladores das boas práticas da Direção-Geral da Saúde.

No tempo da outra senhora, os bufos eram umas criaturas importantes: serviam o poder e assustavam o comum dos mortais. As proibições eram lei e um simples jogo de futebol na relva ou no empedrado em frente de casa podia muitas vezes acabar na esquadra, onde uns polícias sem formação tratavam de dar uns tabefes nos miúdos que se queriam divertir. Até apanhar abrunhos das árvores era razão para o zeloso funcionário camarário chamar um agente.

Quase 50 anos depois, eis que voltávamos ao tempo da bufaria. Alguém dá uma festa em casa para meia dúzia de pessoas e logo um vizinho trata de chamar os inefáveis zeladores das boas práticas da Direção-Geral da Saúde. Num restaurante estão seis pessoas da mesma família, que vivem debaixo do mesmo teto, a jantar numa mesa comum, e logo alguém se sente incomodado e toca a chamar a polícia.

Este sentimento de bufaria é, obviamente, alimentado pelo Governo nas suas práticas diárias. Uma criança partilha umas sandes que comprou no bar da escola com um colega que não tinha comido nada e logo alguém denuncia o caso e o jovem é suspenso um dia. “Está nos estatutos”, dizem os responsáveis. Confesso que fico confuso.

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