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Sporting-FC Porto (II). "Ó Baratinha, tens aí 20 paus que me emprestes?"

Sporting-FC Porto (II). "Ó Baratinha, tens aí 20 paus que me emprestes?"

Afonso de Melo 16/10/2020 09:38

Da bofetada no estádio a amigalhaços na noite, esquecendo a rivalidade clubista, Anastácio e Simão continuam pelo filme fora, lado a lado ou frente a frente, até ao final feliz. Mesmo que, na versão de Arthur Duarte, o FC Porto tenha perdido.

Continuação da edição de ontem

Sentados lado a lado na bancada, Anastácio Silva (António Silva) e Simão Barata (Erico Braga) desentendem-se coloridamente, um a verde e outro a azul, durante uma hora e meia. Até minúsculas bandeirinhas trazem presas às lapelas. Anastácio sai do Estádio do Lima com peito mais enfunado do que vela de galeão, como diria o dr. Topsius da Imperial Alemanha na sua descrição da viagem na companhia do bonifrate Raposão da execrável Titi n’A Relíquia do Eça, e ao entrar no palacete do seu anfitrião, um ricaço portuense à moda antiga, dá de caras com o malcriadão que quase se pegara com ele à pancada no estádio enquanto assistiam à vitória do Sporting dos Cinco Violinos por 2-1 sobre os azuis--e-brancos. Vitória inventada, como já disse ontem. Golos de Peyroteo e de Travassos contra um de Araújo. Travassos esse que, a despeito da sua enorme e indiscutível classe, jamais marcou um golo ao_FC_Porto no Estádio do Lima, palco de algumas das cenas mais vibrantes d’O Leão da Estrela.

Mas voltemos à realidade que tanto ajudou nesta ficção. Nesse ano de 1947, o FC_Porto recebeu o Sporting no tal Estádio do Lima para o campeonato nacional. Um Sporting de estadão, de Cinco Violinos afinadíssimos. O_Estádio do Lima, o melhor da cidade, nem era pertença dos portistas, e sim de outro clube tripeiro, o Académico, que desapareceu entretanto no sempre sem fundo poço do olvido. Vitória leonina de deixar aos abraços Anastácio Silva e o chofer Miguel, mesmo que o primeiro embirrasse solenemente com o facto de o segundo arrastar a asa à sua criada Rosa: 4-2. Os golos, autênticos, do Sporting dos dois maganões lisboetas que se tinham congregado na patifaria de viajar de Lisboa à capital do norte no automóvel de luxo do Comandante, patrão ausente da personagem encarnada por Artur Agostinho, um fulano que além de ator foi repórter da radiotelefonia e que, por mais do que uma vez, entrevistou os jogadores em disputa na trama, tiveram a assinatura de Jesus Correia (2), Peyroteo e Albano. Azar para Jesus Correia e Albano, que foram apagados da tela. Peyroteo e Travassos estavam, como se calcula, muito mais na moda.

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