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Solteiros. Entre a vontade de estar com alguém e o medo de ficar infetado

Solteiros. Entre a vontade de estar com alguém e o medo de ficar infetado

Rita Pereira Carvalho 16/10/2020 09:29

Durante o confinamento, as redes sociais e as plataformas de dating ganharam adeptos, sobretudo entre pessoas solteiras. Mas o alívio das restrições não trouxe total liberdade para encontros. Há quem tenha medo de estar com outras pessoas pelo risco de infeção e há quem não consiga simplesmente conhecer ninguém. A noite já não existe, o convívio está limitado e aos jantares já não vão os amigos dos amigos.

O sofá já tem a marca do seu corpo, tanto é o tempo que Duarte passa ali sentado ou deitado. Enquanto o corpo descansa, vai fazendo scroll no Instagram e no Tinder “para ver se aparece alguém interessante”, diz. Mas não tem muita sorte. Desde março, mês em que decidiu criar uma conta no Tinder, uma das mais conhecidas aplicações de encontros, que não consegue conhecer outra pessoa, pelo menos ao ponto de combinar um encontro.

O portátil dá-lhe liberdade para poder trabalhar em qualquer parte da casa, que divide com mais quatro pessoas, mas esta é, diz, uma falsa sensação de liberdade. Está naquele apartamento, no meio de Lisboa, desde que começou o confinamento. Vive com mais pessoas, mas nem por isso se sente mais acompanhado. A sua relação de cinco anos terminou dois meses antes de o Governo anunciar que os portugueses teriam de ficar em casa e, até agora, não conseguiu conhecer outras pessoas. “Para alguém que tem 25 anos, esta situação não é muito fácil. Não sei como é para alguém que tem 35 ou 40, mas com 25 acho que há mais vontade de conhecer outras pessoas”, desabafa.

 Os primeiros dias de isolamento foram bons, “mas passaram duas, três, quatro semanas, e já não dá para aguentar mais”. “Saí de uma relação e pensei que podia encontrar outras pessoas, mas isso é impossível agora”, explica. Se, durante o confinamento, a única coisa que fazia era conversar com pessoas aleatórias que não permaneciam na sua vida mais do que uma semana, agora não é muito diferente. “Na altura criei o Tinder numa de ‘vamos ver o que é isto’. Alguns amigos meus conheceram pessoas interessantes aqui e têm boas experiências, mas comigo não está a resultar. Eu meto um gosto, recebo outro de volta, há o tal match, mas depois as mulheres nunca falam. Pelo menos, comigo é assim. Nunca”, conta Duarte. E, por isso, é Duarte quem toma a iniciativa. Há expetativa, mas vai diminuindo com a evolução da conversa. “Estamos a falar e às tantas penso ‘mas porque é que estou a falar com um estranho?’ Aquela pessoa não me conhece e durante o confinamento também não ia passar dali, porque não podíamos ir ter com ninguém ”.

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