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Sporting-FC Porto (I). "Se em Lisboa é canja, no Porto é dobrada!"

Sporting-FC Porto (I). "Se em Lisboa é canja, no Porto é dobrada!"

Afonso de Melo 15/10/2020 08:47

Nunca um filme mexeu tanto com o futebol em Portugal como O Leão da Estrela, de Arthur Duarte, com guião de um ilustre benfiquista, Félix Bermudes. Para o sportinguista Anastácio, falhar o embate era impossível. Desenrascou-se.

Félix Bermudes não foi apenas uma grande figura do Benfica mas, igualmente, um daqueles enormes cabouqueiros da renovada cultura portuguesa. Amigo do meu bisavô Acácio de Paiva – também ele escritor e poeta, além de jornalista –, frequentador da Casa das Conchas, ainda na família, no Olival, termo de Ourém, onde existem, por sinal, algumas alegres fotografias de indesmentíveis farras de arromba, tornou-se o 10.o presidente dos encarnados em 1916, mais tarde regressando ao cargo entre 1945 e 1946, e jogou futebol a sério na sua juventude, pelo que não é de estranhar que se tenha atirado com unhas e dentes à escrita do guião do primeiro filme português a exibir fatias inteiras de um jogo de futebol, um clássico entre FC Porto e Sporting que teria tido lugar no Estádio do Lima, no Porto, em 1947, ano em que O Leão da Estrela explodiu nas telas dos cinemas de um país a viver ainda as sequelas da ii Guerra Mundial, que obrigara muitos a muitos sacrifícios, poupando, pelo contrário, muito poucos, algo que a película vai deixando claro à medida que decorre num universo de senhores de bem e pessoal menor como criadas e choferes.

Vamos lá por partes. Félix Bermudes dividiu o trabalho com outros dois homens de indiscutível categoria: Ernesto Rodrigues, que ficou responsável pela música, como excelente compositor que era, tendo deixado marca em João Ratão, filmado sete anos antes, e João Bastos, o argumentista de filmes tão badalados como O Costa do Castelo, A Menina da Rádio ou O Noivo das Caldas. Trabalho esse que vinha de trás, entenda-se: O Leão da Estrela começou por ser uma peça de teatro, datada de 1925 e estreada nesse mesmo ano no Teatro Politeama, em Lisboa, pela companhia Chaby Pinheiro. O próprio Chaby Pinheiro interpretou Anastácio Silva sobre o palco, tendo como esposa, Carlota Silva, a sua autêntica esposa, Jesuína de Chaby.

 

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