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Portugal-Espanha (II). O divino descaramento do Batatinha

Portugal-Espanha (II). O divino descaramento do Batatinha

Afonso de Melo 07/10/2020 08:46

Este jogo mágico entre vizinhos, com quase 99 anos de existência, e que hoje se repete, merece que se recorde o primeiro de todos.

Falei, na edição do i de ontem, da forma quase envergonhada como a imprensa portuguesa abordou o jogo de estreia da selecção nacional, a 18 de dezembro de 1921 frente à Espanha, em Madrid. Prossigo, agora. No dia seguinte, O Século desenvolvia a reportagem e voltava a dedicar-lhe um artigo na sua página 2 que aqui se reproduz sem alterar uma vírgula: “O desafio entre portuguezes e hespanhoes chamou uma grande assistencia e provocou grande entusiasmo em Madrid. A partida de foot-ball entre portuguezes e hespanhoes efectuou-se no meio de grande anciedade. Mais de 12.000 pessoas assistiram ao desafio e no campo as tribunas ostentavam colgaduras vendo-se bandeiras dos dois paizes entrelaçadas. Os vivas a Hespanha cruzaram-se de mistura com os vivas a Portugal. Os hespanhoes começaram jogando com grande impeto e, poucos momentos depois, Meana com um remate de cabeça consegue o primeiro ponto para a Hespanha; 5 minutos mais tarde Alcantara consegue o segundo. Continua o desafio, ganhando bem as duas équipes. Termina então o primeiro tempo, com dois pontos a favor de Hespanha e nenhum a favor de Portugal. No segundo tempo, Alcantara consegue o terceiro ponto para a Hespanha, o que estimula os portuguezes, que procuram dominar os hespanhoes, mas não fazem ponto algum, porquanto estes são superiormente aparados pelo keeper hespanhol. Os portuguezes conseguem fazer um ponto, em virtude de uma mão metida na arena do goal, o que dá ocasião a uma enorme ovação a Portugal. A partida termina, contando os hespanhoes 3 pontos e os portuguezes 1. Ovações e hurrahs tanto à Hespanha como a Portugal.

O arbitro do desafio foi Cazelle, do colégio belga, que tambem foi muito ovacionado pela imparcialidade e oportunismo que deu provas”. Convenhamos: um luxo requintado bem diferente dos relatos de hoje em dia.

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