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Royal Opera House. Um Hockney para fazer face à pandemia

Royal Opera House. Um Hockney para fazer face à pandemia

Cláudia Sobral 06/10/2020 23:22

Para fazer face às perdas de receitas causadas pela pandemia, instituição centenária anunciou que vai vender um retrato da autoria de David Hockney que, estima a Christie’s, poderá ascender aos 20 milhões de euros em leilão.

Em 1971, David Hockney recebeu um pedido da Royal Opera House de Londres para pintar um retrato de David Webster, histórico diretor que acabara de se retirar ao fim de um quarto de século à frente da instituição. Foram os anos de maior expansão e crescimento da Royal Opera House como hoje a conhecemos. David Hockney, que não tinha o hábito de aceitar encomendas, aceitou essa. Pintou-o sentado de perfil, em frente a uma mesa com uma jarra de tulipas. Agora, para enfrentar a crise em que está mergulhado todo o setor cultural devido à pandemia, a Royal Opera House tomou a difícil decisão de pôr à venda essa mesma obra, que nos últimos anos estava exposta no edifício, em Covent Garden. A venda foi ontem anunciada oficialmente mas já na véspera tinha sido noticiada pelo Observer.
E já nessa notícia a centenária instituição que acolhe o Royal Ballet e espetáculos de ópera internacionais explicava a tomada da decisão. “Foi uma decisão difícil. Mas temos de fazer frente à situação em que estamos e se nos pudermos manter viáveis e atravessar isto, então poderemos voltar a empregar pessoas no futuro”, disse àquele jornal Alex Beard, administrador da Royal Opera House, inaugurada em 1732. “Somos o maior empregador do setor das artes no país e tivemos de olhar para todas as opções que tínhamos”.
A obra deverá ser levada a leilão ainda este mês pela Christie’s, que estima que possa ser arrematada por um valor entre os 11 e os 18 milhões de libras (cerca de 12 a 20 milhões de euros). Segundo a descrição da obra da casa de leilões, este retrato é “a primeira de um punhado de encomendas completadas por Hockney: não aceitaria mais nenhuma até décadas mais tarde, quando pintou Sir George e Lady Mary Christie de Glyndebourne para a National Portrait Gallery”.
Segundo disse Alex Beard ao Observer, o artista foi avisado da decisão de leiloar o retrato. “Temos uma boa relação mas ele não gosta muito quando um dos seus trabalhos é leiloado”, admuitiu o responsável. Mas esta é apenas uma das medidas que integram o plano de recuperação elaborado pela Royal Opera House para colmatar as perdas de receitas causadas pela pandemia. Segundo a administração da instituição londrina, desde que o decretar do confinamento no Reino Unido obrigou as instituições culturais a fecharem portas, as perdas de receitas rondam as três em cada cinco libras faturadas desde então. 
O plano prevê ainda uma série de cortes nas despesas e o lançamento de uma campanha de angariação de fundos para ajudar a insituição, que se candidatou também à linha de apoios, via empréstimos, para o setor artístico e cultural anunciada pelo Governo de Boris Johnson.
Em junho, pela altura da reabertura da Royal Opera House com um concerto transmitido na TV e ainda sem plateia, já Beard havia avisado da crise financeira “sem precedentes” que a instituição enfrentava. Só no final deste mês os espetáculos da Royal Opera house voltarão a ter público.

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