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Hospitais de Lisboa com mais doentes com covid-19 na nova fase da epidemia

Hospitais de Lisboa com mais doentes com covid-19 na nova fase da epidemia

Patrícia de Melo Moreira/AFP Marta F. Reis 30/09/2020 09:21

ARS de Lisboa diz ao i que em algumas unidades já foi preciso alargar a capacidade. Dos 99 doentes ontem em cuidados intensivos, 65 estão nos hospitais da região. Contágio entre idosos continua a aumentar.

Se a primeira onda de covid-19 atingiu primeiro os hospitais do Norte, o aumento de internamentos nas últimas semanas tem sido até aqui maior nos hospitais da região de Lisboa. Até ao momento não foi cancelada atividade programada e a situação continua a ser monitorizada de perto pela Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo. A ARS indicou ao i que ontem estavam internados 424 doentes com covid-19 nos hospitais da região de Lisboa do Tejo, o que representa cerca de 62% dos casos no país. Havia 65 doentes em cuidados intensivos, mais dez do que no final da semana passada. Na altura, a ministra da Saúde indicou que havia 553 afetas a doentes com covid (346 ocupadas) do total de 7 mil camas na região. Havia 85 camas afetas a doentes com covid-19 que precisem de cuidados intensivos, 54 ocupadas. A ARS reiterou que “o número de camas disponíveis nos hospitais para resposta COVID-19 não é estático, sendo alterado/adaptado em função das necessidades”, adiantando que “em alguns hospitais a capacidade já foi aumentada, noutros ainda não foi necessário”. Segundo o i apurou, a situação mantém-se controlada nos maiores hospitais sem necessidade de recorrer a novas alas de internamento, havendo espaço para aumentar a capacidade sem interferir com a retoma da atividade numa primeira fase. Tudo dependerá da evolução nos próximos dias – aumentando mais a necessidade de cuidados intensivos, poderá ser necessário a recorrer a mais médicos e enfermeiros, nomeadamente áreas como anestesiologia, o que poderá então trazer mais constrangimentos ao nível da atividade cirúrgica e levar a menos marcações de cirurgias, que os hospitais têm procurado recuperar.

Esta terça-feira a região de Lisboa voltou a registar a maioria dos novos casos de covid-19: foram confirmados 688 novos casos, um número acima do que verificou na terça-feira da semana passada. A região de Lisboa contabilizou 478 novos casos, o triplo o Norte, a segunda região a registar o maior número de novos casos (160).

Casos em idosos continuam a aumentar Em termos de distribuição por faixa etária, mantém-se o predomínio de novos casos em pessoas mais jovens, em particular entre os 20 e os 30 anos, mas tem vindo a aumentar o número de casos diagnosticados em idosos, uma tendência que o i já tinha assinalado nas últimas semanas. Na semana passada, de segunda-feira a domingo, houve 692 casos diagnosticados acima dos 70 anos de idade, quando na semana anterior tinham sido 545. A percentagem de casos nesta faixa etária foi de 12,4%, mas como os casos subiram, houve um aumento proporcional. Nos primeiros dois dias desta semana, os idosos com mais de 70 anos representaram 15% dos novos casos, com 174 novos casos neste grupo, aquele em que tem sido associado a mais mortes.

Na conferência de imprensa de segunda-feira, a diretora-geral da Saúde indicou que o número de surtos em lares subiu para 51, de 44 na semana passada. Um dos casos conhecidos nos últimos dias é o surto no Lar dos Ferroviários, no Entroncamento, onde mais uma vez a infeção só foi detetada quando já se tinha espalhado praticamente a todas as pessoas da instituição. Ontem estava confirmada a infeção em 50 dos 75 idosos do lar e 18 funcionários. O delegado de saúde local, José Cunha, adiantou entretanto que alguns dos profissionais que deram positivo para o vírus se disponibilizaram para continuar a cuidar dos idosos nesta fase, um gesto que saudou. Já a Câmara Municipal de Sintra confirmou também a existência de um surto num lar do Magoito, em Sintra, o Clube Fénix One, onde já morreram cinco idosos. Se no Entroncamento o lar está ligado a antigos operários, a instituição no Magoito é um clube residencial sénior de cinco estrelas, como se apresenta. Mais uma vez o vírus não escolhe estratos sociais. Há 15 utentes e seis funcionários infetados. A Administração Regional de Saúde do Algarve confirmou também surtos em lares de idosos de Olhão, Quarteira e Tavira, que não especificou.

Ontem foram reportadas seis mortes por covid-19 no país, cinco na região de Lisboa e uma morte na região Centro. O número de vítimas mortais causadas pela doença desde o início da epidemia subiu 1963. Este mês a covid-19 vitimou até ontem 139 pessoas, a maioria idosos com mais de 80 anos, um aumento significativo face ao mês passado, quando foram reportadas 87 mortes.

A ministra da Saúde foi ao programa de Cristina Ferreira, agora na TVI, onde sublinhou o espírito de abnegação dos profissionais de saúde e reiterou que reduzir os contágios cabe a todos. “Sempre que aligeiramos as medidas, temos um crescimento. A causa está no contacto”, insistiu, num programa em que foi surpreendida pela apresentadora com a música “À Minha Maneira”, dos Xutos, que ficou a saber-se ser uma das suas preferidas. Marta Temido admitiu estar cansada, como todos, mas respondeu à apresentadora que desistir agora seria uma “cobardia”.

 

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