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José Cabrita Saraiva 29/09/2020
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

E uma pontinha de humanidade

 princípio bastaria levantar o meu pedido e pagar, mas desta vez havia uma inédita fila à porta.

Embora a comida para o nosso jantar estivesse pronta a partir das 19h50, só consegui chegar uns dez minutos mais tarde. Em princípio bastaria levantar o meu pedido e pagar, mas desta vez havia uma inédita fila à porta. Quando um empregado assomou à entrada, eu disse-lhe para o que vinha. Mandou-me esperar lá fora. As outras pessoas na fila à minha frente eram um homem coxo, um homem de meia-idade com um miúdo pequeno visivelmente constipado e um casal muito apaixonado – tinham-se um ao outro e pareciam não se importar com mais nada. O vento estava cortante. Desde que o sol se pusera, a temperatura tinha caído a pique, e através dos vidros via-se as pessoas no interior do restaurante confortavelmente instaladas. Que inveja! Quando chegou a sua vez, o homem coxo deslocou-se como pôde, fez o seu pedido e voltou lá para fora para continuar à espera. O homem de meia-idade tentava proteger o filho do vento gélido, até que teve o bom senso de levar o miúdo de volta para o carro. O casal apaixonado estava tão enleado que nem reparou que ele foi e voltou para a fila. Ao fim de 20 minutos lá fui atendido. E não escondi a minha indignação. “Aquele senhor estava a coxear, vocês têm aqui tantas mesas vazias e deixam-no à espera de pé?”, protestei. “Deixam pessoas com miúdos pequenos ao frio?!”

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