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Benjamim. "Procuro que as cores da minha música vão variando conforme a viagem"

Benjamim. "Procuro que as cores da minha música vão variando conforme a viagem"

Mafalda Gomes Hugo Geada 29/09/2020 08:26

Vias de Extinção, novo disco de Benjamim, repleto de sons “da noite”, encontra o artista numa fase nova da sua vida: a enfrentar a sua mortalidade, mas com um sorriso na cara e com vontade de dançar.

Tudo começou depois de uma visita às urgências do Hospital de Santa Maria. Foi só um susto, mas foi o suficiente para Luís Nunes, que assina o seu projeto musical como Benjamim, perceber que não era imortal. Este viria a ser o mote de Vias de Extinção, lançado na passada sexta-feira, com selo da Sony Music e que, apesar dos temas aparentemente soturnos, é afinal uma celebração do estilo de vida do músico. Uma fase em que “estava solteiro, saía muitas vezes à noite, muitos excessos, pouco sono”, conta. “Diverti-me imenso, acho que foi uma altura ótima”. E foram estas saídas à noite que acabaram por se infiltrar no seu disco através da música eletrónica, com toques de Arthur Russel ou até de Giorgio Moroder, formando uma “monografia desse tempo”.

Os seus discos anteriores estavam ligados por conceitos. O Auto Rádio é sobre uma viagem de carro, o 1986 foi a colaboração com o inglês Barnaby Keen.

O Auto Rádio foi um disco onde andava à procura da minha maneira de me expressar em português. Ao fim de muitos anos a fazer música em inglês, foi quase como voltar a fazer música pela primeira vez. Consegui encontrar um conceito em que colei várias direções, para onde disparei música. É um disco da minha descoberta. Gosto de pensar os discos assim. É quase como uma ópera ou uma sinfonia. Cresci a ouvir os Beach Boys, são uma grande influência, e o Brian Wilson era alguém absolutamente fanático pela ideia de álbuns. O segundo disco, 1986, parte da ideia de querer chutar a pressão de segundo álbum para canto e faço a batota de arranjar um grande músico, Barnaby Keen, para trabalhar. Estar a trabalhar com uma pessoa que tinha um nível tão alto de qualidade obrigou-me a crescer enquanto músico e a não ter a responsabilidade de responder com um segundo álbum só meu. Depois de tantos anos a escrever em inglês, senti que a minha música se tinha compartimentado num mundo em que só existia música em português. Quis fazer a experiência de perceber se a minha música conseguia conviver com a de um inglês. O título do disco é o único denominador comum em ambos: é o ano em que nascemos. Era a ideia de dois músicos que nasceram no mesmo ano, em sítios completamente diferentes, a ouvir muita música comum e outras mais específicas, como seria o resultado da sua colaboração musical. 

O que é feito de Barnaby Keen?
Está a viver a vida dele. A última vez que falámos ele estava no sul de França com a namorada, a fugir ao coronavírus. Continua a fazer música nos seus vários projetos musicais. 
 

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