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Água. Escassez ameaça economia global e exige soluções para o futuro

Água. Escassez ameaça economia global e exige soluções para o futuro

Dreamstime João Amaral Santos 28/09/2020 21:53

O relatório da consultora Boyden propõe uma mudança de paradigma no combate “decisivo” contra a escassez de água à escala planetária. 

Um estudo conduzido pela consultora Boyden revela que a escassez de água é uma das principais ameaças à economia global e aponta que liderança, recursos e um novo conjunto de competências serão essenciais para mitigar os riscos. O relatório “O Novo Mundo da Água: Crescente Escassez, Hidro-Política Complexa e a Principal Ameaça aos Negócios Globais” explora a forma como os líderes de negócio de várias áreas e setores estão a lidar com o impacto desta nova realidade.

De acordo com as projeções da ONU, em 2035, quase 40% da população mundial viverá em zonas com escassez de água. “Os desafios da humanidade não se esgotam com a pandemia de covid-19. Esta continuará a pautar a vida e obrigará a manter as precauções e as regras que permitem minimizar os riscos e retomar o trabalho com a maior normalidade possível. Se não o fizermos há o perigo de destruirmos por completo a nossa frágil estrutura económica e social. Há outros temas que são tão ou mais decisivos para o nosso futuro coletivo, como o dos desafios da água”, afirma Fernando Neves de Almeida, managing partner da Boyden Portugal. 

O estudo conclui que talento, liderança e uma mudança de mentalidade são a “chave” para a sobrevivência dos negócios e da própria humanidade. Da perspetiva do talento, as tendências de transformação no setor da água significam mais executive search e um foco mais incisivo em experiência multidisciplinar, cobrindo geopolítica e diplomacia, os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, regulação, tecnologia, fluxos de investimento, branding e atração de executivos e engenheiros para oportunidades geradas pela tecnologia. “Conhecimento e inovação disruptiva serão trazidos por outros setores e começámos a ver uma onda de aquisições por parte de corporações maiores, para impulsionarem soluções e manterem-se na liderança”, diz Francesca d’Arcangeli, global industrial practice leader e managing partner da Boyden Reino Unido. 

Na gestão da água como recurso, a falta de dados e de enquadramentos analíticos que facilitem a tradicional tomada de decisão e de investimento é, neste momento, um enorme obstáculo. A tecnologia de água e empresas de agrotecnologia financiadas por fundos de investimento têm emergido, procurando “recalibrar” a gestão da água na agricultura, indústria e utilities. “A perspetiva de liderança que procuramos hoje em dia é tanto local como global”, diz Lidia Messellod, vice-presidente de RH, global supply chain da Xylem, um fornecedor de tecnologia de água. “Local no que diz respeito à atenção regulatória e global na perspetiva de saber em que determinado país a água poderá ser um problema e na capacidade de antever problemas”, acrescenta.

Portugal é precisamente um dos países que enfrentam o fenómeno. Aliás, a escassez de água e a seca no quadro da adaptação às alterações climáticas são prioridades para a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (a partir de janeiro de 2021), como já anunciou o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

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