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Aliança. O congresso em que Santana Lopes deixou a liderança

Aliança. O congresso em que Santana Lopes deixou a liderança

Mafalda Gomes Luís Claro 28/09/2020 12:00

Santana Lopes saiu por causa dos fracos resultados eleitorais. Paulo Bento vai substituí-lo e quer um partido “assumidamente à direita”.

O congresso da Aliança, neste fim de semana, em Torres Vedras, serviu para eleger um novo líder, mas também para refletir sobre os insucessos do partido nas eleições europeias e legislativas. Santana despediu-se da liderança, mas promete não abandonar a política. Paulo Bento, antigo militante do PSD e ex-vereador na Câmara de Torres Vedras, é o novo líder.

Santana encerrou mais uma etapa da sua longa vida política e abandonou a liderança do partido que fundou há apenas dois anos. Os fracos resultados eleitorais foram os responsáveis pela decisão do ex-primeiro-ministro. O partido conseguiu pouco mais de 60 mil votos nas eleições europeias e cerca de 40 mil nas legislativas. Não conseguiu eleger deputados, ao contrário da Iniciativa Liberal e do Chega, que também se apresentaram pela primeira vez ao eleitorado.

Santana pensou em demitir-se na noite eleitoral, mas quis dar tempo para o partido se reorganizar. A confissão foi feita durante o congresso, em que assumiu que a sua liderança não correu bem. “Não correu bem em termos eleitorais. O tempo está mais para extremismos e radicalismos. Não é fácil fazer um partido moderado que aposta em causas sérias”, disse, à RTP, o fundador da Aliança.

Santana Lopes defendeu que a Aliança não se pode confundir com o “circo e a bandalheira” de outros partidos “não democráticos” – uma referência ao Chega, com o qual Santana Lopes garante que a Aliança “não tem nem pode ter nada a ver”.

O partido de Santana Lopes não conseguiu evitar algumas transferências para o Chega nos últimos tempos. A nova direção nacional do partido de André Ventura conta com dois ex-dirigentes da Aliança e em vários pontos do país há mudanças. O líder do Chega disse ao semanário SOL que a Aliança “é um projeto a morrer aos poucos” e “esses militantes sentem-se órfãos e querem uma casa política. Apenas os receberemos na medida em que assumam a luta contra o sistema, e não como mais um partido do sistema”.

Assumidamente à direita Paulo Bento, que trabalhou com Santana Lopes na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, apelou aos partidos “não socialistas” para se constituírem como alternativa ao PS. No encerramento do congresso, o novo presidente da Aliança defendeu que é necessário “criar condições às empresas para criarem riqueza e distribuí-la melhor”, bem como “resolver as assimetrias regionais” no país.

Na moção de estratégia, que contou com o apoio da maioria dos congressistas, Paulo Bento defende que a Aliança “deverá estar assumidamente à direita, sem hesitações nem receios, resistindo, sempre, aos chamamentos do politicamente correto”. O novo líder pretende também melhorar a comunicação com a criação de “um Gabinete de Comunicação e Imagem, uma estrutura com capacidade de planeamento e preparação de conteúdos, que se ocupe da comunicação interna e externa”.

Em relação às eleições presidenciais, no início do próximo ano, Paulo Bento escreve na moção de estratégia global que o partido deve apresentar um candidato próprio. “O Aliança deve fomentar no imediato o debate interno que permita encontrar um candidato na nossa área política, defensor inequívoco dos nossos princípios e valores, que no período eleitoral dê voz à visão de sociedade em que acreditamos”, refere o documento.

 

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